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Mercado de trabalho: o mundo pós-Covid já dá sinais de como será

Parece já ser consenso que no mundo pós-coronavírus muita coisa será diferente do que era antes. A questão é saber o que irá, efetivamente, tornar-se realidade agora e o que talvez fique para um futuro mais distante. Algumas coisas já são certas. No mundo do trabalho, uma delas é que o home office veio para ficar e não é nenhum bicho-de-sete cabeças. Porém, as mudanças em curso vão muito além. Quem está em busca de emprego ou pretende manter-se no mercado, deviria ficar atento à nova onda, ao “novo normal”, como se anda dizendo por aí.

Este foi o tema de duas lives promovidas pela Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) nas últimas semanas. O objetivo dos encontros foi o de orientar, não só os engenheiros, ou quem está por se formar, mas qualquer pessoa que esteja nessa condição, sobre os cuidados que deve tomar para que possa se inserir – ou se manter – no mundo do trabalho quando a pandemia passar.

“O mercado de trabalho tradicional não existe mais. A forma de se procurar emprego também não existe mais. É preciso inovar”, adianta a administradora de empresas  Andreia Costa, que trabalha com coach pessoal e análise comportamental. Nesse cenário, marcado por mudanças profundas, é fundamental, segundo ela, que o profissional abra mão de alguns conceitos muito arraigados.

Um deles é o de que a formação acadêmica, por si só, garante o emprego. Não é verdade. Segundo Andreia Costa, o mercado, mais do que a formação, valoriza hoje o profissional que tem grande capacidade de adaptar-se a situações novas. “Soluções antigas não resolvem problemas novos”, ressalta. Para isso, ela recomenda que os profissionais reservem um tempo para se manterem atualizados sobre as novas tendências. “Temos que aprender a desaprender. Temos que nos desfazer de crenças para continuar no mercado e buscar a inovação. Temos que nos desapegar de coisas antigas para deixar o novo entrar e as coisas fluírem na nossa vida”.

Andreia Costa afirma que o mercado de trabalho tradicional não existe mais e que as pessoas precisam ficar atentas às mudanças Foto: SME/Divulgação

Currículo – Mudou também a forma como as pessoas passaram a buscar emprego. Até pouco tempo atrás, o profissional ia à empresa entregar seu currículo pessoalmente ou então fazer o cadastramento pelo site. Isso, de acordo com ela, não funciona mais, pois os sites passaram a ficar sobrecarregados com milhares de currículos, para as mais diversas funções, o que inviabiliza, por parte das empresas, a utilização dessa ferramenta.

O que Andreia Santos recomenda é que o profissional invista seu tempo na criação de conexões. Um dos melhores canais para isso, segundo ela, é o Linkedin, que deve ser utilizado com o objetivo único de buscar visibilidade no mercado de trabalho. Para nada além disso. Nessa plataforma, o profissional buscar conexões não apenas com pessoas que ela conhece, mas, principalmente, com as que poderão ajudá-lo a atingir seus objetivos, mesmo que não sejam de seu relacionamento. A isso, ela acrescenta como algo importante a interação, pois, segundo Andreia, quando mais isso ocorre, mais o algoritmo do Linkedin coloca a pessoa em evidência na plataforma.

O “estar conectado é”, de acordo com Andreia Santos, uma das forças no novo normal. “O mundo está em rede. Está todo mundo conectado. A gente acessa pessoas do outro lado do mundo em tempo real. A gente faz vendas em tempo real. A gente faz atendimentos em tempo real”, afirma a consultora. Ela própria revela ter clientes com quem nunca se encontrou pessoalmente.

Inteligência artificial – Além de estar conectado, o profissional que se pretende se inserir no “novo normal” tem que estar atento ao avanço da inteligência artificial e à realidade que será a substituição da força de trabalho humana pelos robôs. “Se você acha que sua área não será afetada pela inteligência artificial, você está cometendo um engano. Você pode não ser substituído, mas talvez vá fazer o seu ofício de uma forma diferente”, diz ela, que recomenda aos profissionais acostumarem-se, desde já, em com a idéia de que terão que aprender a lidar, cada vez mais, com máquinas operadas pela inteligência artificial.

No mundo apenas dos humanos, o novo normal irá, segundo ela, demandar um profissional que consiga desenvolver as habilidades voltadas para a empatia, para a conexão com o outro, com o ser humano. Nesse cenário, de acordo com Andreia Santos, o gestor deixará de ser um gestor de funcionários e passará a ser um líder de pessoas. “Isso o robô não vai conseguir tirar da gente. Os líderes precisam também se adaptar, reforçando a liderança participativa, pois no mundo do trabalho que se avizinha, não haverá espaço para o líder autoritário. “É um tipo de líder que não vai ficar no mercado”. O que irá prevalecer, segundo ela, a liderança que respeita a individualidade de seus liderados.

O novo profissional

Aprende a aprender e a desaprender

Sabe trabalhar em rede

Transforma conhecimento em produtos e serviços

Concilia a realidade presente com o futuro desejado

É inovador, criativo e adaptável a mudanças

Desenvolve inteligência intrapessoal

Enxerga oportunidades nas adversidades

Sabe lidar com problemas complexos

Tem capacidade gerencial

Sabe relacionar-se com máquinas que usam inteligência artificial

Tem autogestão e autodisciplina

 SME/Assessoria de Comunicação

 

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