A SME promoveu na última quarta-feira, 05 de maio, a IV Jornada de Energia com o tema “Expansão da oferta de energia: Tecnologias e Oportunidades”. O seu objetivo foi identificar e discutir as demandas por soluções tecnológicas inovadoras e as oportunidades decorrentes para empresas e profissionais proporcionadas pela atual expansão da oferta de energia no Brasil.
Como era de se esperar, um tema recorrente foi a questão ambiental pelas possibilidades crescentes de utilização das novas tecnologias em energias alternativas e renováveis.
O contexto brasileiro
A experiência das crises energéticas recentes mostrou que é crucial o aperfeiçoamento dos modelos empresariais e comerciais de exploração da energia, tema esse abordado anteriormente na III JORNADA DE ENERGIA.
Percebe-se que o investimento público, a atratividade ao setor privado, a segurança no abastecimento e a modicidade tarifária são fundamentais para a garantia do fornecimento seguro de energia elétrica.
No entanto não se pode esquecer que a inovação tecnológica agregada à engenharia dos sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica contríbua também contribui decisivamente nesse processo em seus aspectos técnicos, tendo sido esta a motivação principal dessa IV JORNADA DE ENERGIA.
A oferta de energia elétrica no Brasil passou por um período de baixo crescimento, o que culminou na crise de abastecimento de 2001, quando o país sofreu sérias ameaças de comprometer o seu desenvolvimento pela falta deste insumo vital à produção.
Emergencialmente, foi construído um grande número de usinas termelétricas (movidas a óleo ou gás), de disponibilidade no curto prazo, devido a pouca reserva de potência instalada que tornava graves as variações do regime hídrico brasileiro. Além disso foi acelerada a construção de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), explorando alguns nichos do potencial hidráulico existente no país.
Mas embora tenha sido reduzida a ameaça de desabastecimento, a matriz energética da energia elétrica do país perdeu em qualidade ambiental e custos, pois a parcela de usinas movidas a recursos renováveis e baratos (água) foi reduzida pelo crescimento das usinas movidas a recursos não renováveis e caros (óleo e gás).
A maior parte do potencial hidráulico disponível no Brasil (mais de 50% do explorado) encontra-se na região Norte, onde “saltos” na produção e oferta de energia “limpa” podem ser mais significativos. Entretanto, as condições geológicas e hidrológicas da região são diferentes das habitualmente exploradas, representando desafios à tecnologia e à engenharia nacional. Um exemplo dessa mudança tecnológica é a utilização de turbinas bulbo, até então pouco utilizadas.
Acionadas pelo volume das águas, não requerem grandes desníveis de queda, reduzindo a extensão dos lagos e, consequentemente, o seu impacto ambiental.
Avaliação
O evento atingiu plenamente os seus objetivos por criar um espaço de excelente nível técnico para que os agentes do setor provedores e fornecedores avaliassem o momento atual da expansão da oferta de energia no Brasil, particularmente a elétrica, tendo como foco os grandes projetos das UHEs (usinas hidrelétricas) em andamento no Norte do país.
A IV JORNADA DE ENERGIA contou com a participação técnica de importantes profissionais e empresas do setor, como José Carlos de Miranda Farias (Diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE – Empresa de Planejamento Energético do Ministério das Minas e Energia), Sérgio Parada (Presidente da Andritz Hydro), Márcio Antônio Guedes Drummond (Chefe do Depto. de Engenharia e Gestão de Obras de Geração da ELETROBRAS) e Luiz Henrique Carvalho (Diretor de Geração e Transmissão da CEMIG)
Outro importante ganho a destacar foi o grande comparecimento de estudantes de Instituições parceiras da SME, como FUMEC, PUC Minas UFMG e UNI-BH, representadas por alunos dos cursos das Engenharias Civil, Engenharia Mecânica, Engenharia Eletrica, Engenharia de Energia e Engenharia Ambiental, Arquitetura, e Urbanismo Ecologia e inclusive alunos de pós graduação.