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[A era da inovação – 4] PUC Tec já colhe os primeiros frutos de seu hub de inovação

Um ano e três meses depois de ter participado do edital que lançou o PUC Tec, a startup mineira Santo Cartão já se considera uma empresa com vida própria e que já disputa o mercado sem o apoio da consultoria do programa. “Estamos no mercado real mesmo”, afirma Denilson José Amaro Silva, um dos fundadores da startup.

A seu ver, o PUC Tec foi fundamental para que a empresa conseguisse, rapidamente, sua maturidade. “Os consultores nos fizeram ter uma visão melhor do mercado e da postura da empresa nesse mercado”, ressalta Denilson. A Santo Cartão foi criada em Poços de Caldas, para atender aos pequenos eventos de música que são realizados na região, com destaque para os festivais de música eletrônica. Seu diferencial é a operação sem cobrança de taxa de conveniência, que é absorvida pelo organizado do evento. Hoje, segundo Denilson, a empresa está presente não só em Minas, mas em vários outros estados.

Fundadores da Santo Cartão, startup de venda de ingressos cujo diferencial é a não cobrança de taxa de conveniência Foto: Santo Cartão/Divulgação

Além da Santo Cartão, outras três startups estão entre as que conseguiram passar por todas as etapas do edital e receberam o aporte de capital  R$ 300 mil. São elas a SportTI, de fomento ao esporte; a Holos, para difusão de terapias holísticas; e a Avulta, para a contratação de pessoas que tenham algum tipo de deficiência.

No total, 189 startups inscreveram-se no edital, lançado pelo PUC Tec em dezembro de 2018. Dessas, 87 passaram pelo primeiro crivo e foram convidadas para a próxima etapa, que era a seleção das 40 que seriam aceleradas pelo programa. A escolha ocorreu em maio de 2019 e, desde então, o grupo está recebendo a consultoria. Em dezembro, um grupo ainda mais seleto – de quatro startups entre estas 40 – recebeu um incentivo extra: o aporte de R$ 300 mil.

A expectativa de Humberto Torres Marques Neto, coordenador do PUC Tec e professor do programa de pós-graduação em Informática da PUC Minas, é de que até dezembro de 2022, todas as quatro finalistas – não apenas a Santo Cartão – tenham se desgarrado do PUC Tec e estejam na disputa do mercado por conta de suas próprias pernas.

Humberto Nunes Neto vê no PUC Tec uma aproximação da Universidade com o setor empresarial Raphael Calixto/PUC Minas/Divulgação

No caso da Avulta, o trabalho se dá em duas frentes. Uma é a da validação, junto ao Conselho Federal de Psicologia, do teste cognitivo desenvolvido pela startup. A outra frente visa dar à Avulta o ganho de escala de que precisa. Segundo a psicóloga Emanuelle Fernandes, uma das fundadoras da Avulta, e intenção é ter presença em todos os estados a curto prazo.

A Avulta é uma plataforma cujo objetivo é fazer a interação entre empresas que estejam com vagas abertas para a contratação de pessoas com deficiência e as pessoas com esse perfil. Segundo Emanuelle, no modelo de contratação tradicional, não há uma análise das habilidades específicas da pessoa que está em busca da vaga.

Na Avulta, isso é feito on-line por meio da plataforma, que mede as habilidades – atenção, comunicação, memória e percepção, entre outras –, deixando as deficiências em segundo plano. Assim, em vez de receber apenas um currículo, a empresa contratante receberá um teste cognitivo, que é um resumo das habilidades medidas.

Emanuelle e Patrícia, fundadoras da Avulta, startup que visa facilitar a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho Foto: Avulta/Divulgação

Gestão esportiva – Mais ou menos na mesma etapa da Avulta está a SporTI, cujo foco é a gestão esportiva. A startup entrega ferramentas para o gestor executar tarefas básicas e essenciais. Também faz uma distribuição de tarefas entre atletas e árbitros.

Para os atletas, há também um ganho de visibilidade, já que seu histórico fica disponível para consulta por qualquer pessoa. Ao mesmo tempo, segundo Sandrelise Gonçalves Chaves, uma das fundadoras da SporTI, o gestor fica liberado para fazer aquilo que é de sua responsabilidade, que é a gestão da competição ou da escola de esportes que está sob sua responsabilidade.

Na montagem da SporTI ela se associou a outros profissionais, praticamente todos com experiência em esportes e também em TI, algo que ela ressalta como um diferencial da startup. Isso faz com que a equipe de TI não seja um grupo à parte, quase como um prestador de serviço, como segundo ela, é comum em iniciativas desse tipo. Para ela, a participação no PUC Tec é importante porque está dando à startup mais segurança e conhecimento para cumprir todas as etapas do programa. Ano passado, a SporTI faturou R$ 350 mil. A meta para esse ano é chegar a R$ 2 milhões.

Equipe da SporTI, startup abrigada no PUC Tec cujo objetivo é facilitar a vida dos gestores esportivos Foto: SporTI/Divulgação

Interação – Para Humberto Neto, a decisão da PUC de criar o PUC Tec significou um passo a mais na trajetória da universidade, não a sua entrada em um novo segmento, o do investimento em projetos de inovação. Segundo ele, o que a PUC faz é o que outras universidades já fazem ao redor do mundo. Como exemplo, ele cita o Vale do Silício, na Calfórnia, Estados Unidos, que não existiria sem a Universidade de Stanford. “A decisão não foi a de entrar, mas sim, de se aproximar desse ecossistema, diminuindo um gap que já existia”, afirma Humberto Neto.

Humberto Neto afirma que a inovação pode ocorrer de forma espontânea, mas pode, também, ser induzida, de tal forma que se tenha um processo cíclico de autosustentação. “Se uma empresa de engenharia parar no tempo, ela vai perder mercado, já que há outras empresas do mesmo setor buscando maior eficiência”, afirma o coordenador do PUC Tec

No PUC Tec estão abrigadas 36 outras startups, além das quatro finalistas, que receberam aportes de capital da PUC, que se tornou também sócia dos empreendimentos Foto: Raphael Calixto/Puc Minas/Divulgação

No caso do PUC, a apoio à inovação tem o sentido, também de aproximar o meio acadêmico do setor empresarial. Com isso, a ideia, de acordo com Humberto Neto, é que toda empresa que buscar a Universidade atrás de alguma solução que envolva inovação e tecnologia, essa demanda seja destinada ao PUC Tec, que ficará responsável por articular laboratórios, pesquisadores e startups para tentar encontrar uma solução para aquela demanda. “O PUC Tec vai acomodar a interação entre a universidade e o setor empresarial para promover a inovação continuada”, reforça o coordenador do programa.

SME/Assessoria de Comunicação

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