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Andrade Gutierrez prevê novos negócios com acordo Mercosul/União Europeia

‘Depois de ter ido ao fundo do poço, envolta em denúncias de corrupção e de ter seu principal executivo preso na Lava Jato, a Andrade Gutierrez dá a volta por cima e planeja fechar o ano com um faturamento de R$ 4,5 bilhões, o triplo do registrado ano passado. Recentemente, a empresa recebeu o prêmio Inovação pela parceria com startups na busca de soluções para os desafios que enfrenta no seu dia a dia. Em entrevista ao DC, o presidente do grupo Andrade Gutierrez, Ricardo Sena, fala sobre as mudanças ocorridas na governança da empresa, as perspectivas que se abrem com o acordo entre Mercosul e a União Europeia e as parcerias com startups em projetos de inovação.

Após a Lava Jato, a Andrade Gutierrez implementou um programa profundo de reestruturação. Quais foram os ganhos alcançados até o momento?

Primeiro, é importante ressaltar que o movimento de mudanças na governança da empresa começou antes da operação Lava Jato. Já em 2013, iniciamos a implantação do nosso programa de compliance, hoje reconhecido pelo mercado como um dos mais robustos. Além da política de compliance, realizamos uma séria de mudanças na gestão da empresa aumentando o nível de governança, com a criação de comitês que auxiliam o Conselho de Administração nas tomadas de decisão da companhia. Em paralelo, investimos pesadamente em duas direções: excelência operacional e inovação. Com isso, conseguimos criar processos mais competitivos e nos posicionar como uma empresa de soluções de engenharia focada na qualidade da entrega e no compromisso de cumprirmos os contratos da maneira mais eficiente possível. Hoje, atuamos em parceria com o cliente e não apenas como uma empresa contratada por este. Como consequência dessa nova postura e desse novo jeito de fazer negócios, já somos reconhecidos de forma diferente e vimos conquistando cada vez mais novos contratos.

Um dos pontos dessa reestruturação é a decisão de não trabalhar com o setor público. Essa decisão se deve a quais fatores? Do ponto de vista do negócio do grupo, trabalhar apenas com o setor privado tem-se mostrado mais lucrativo? Essa decisão é sem retorno, ou há possibilidade de o grupo voltar a operar com a área pública?

Na verdade, não tomamos decisão de não trabalhar para o setor público. Nem em qualquer momento fomos proibidos de trabalhar disso. Hoje, nossos contratos se concentram no setor privado simplesmente como decorrência do que aconteceu no setor nos últimos anos, quando houve uma carência de novos projetos. Mas continuamos, sim, avaliando os projetos que surgirem. Outro ponto importante é em relação ao modo de contratação do setor público. Hoje, instituímos, junto com a nova governança, um modelo muito mais criterioso de avaliar projetos e fazer propostas. Dessa forma, o crivo se tornou muito mais técnico e, muitas vezes, os projetos no setor público apresentam carências que podem impactar no preço e prazo de entrega do projeto. Por isso, acabamos conquistando mais clientes privados nesse período. Mas não abrimos mão de estudar os projetos que o setor público apresente.

Essa decisão é sem retorno, ou há possibilidade de o grupo voltar a operar mais com a área pública?

Não temos qualquer restrição em trabalhar com o setor público, desde que os projetos atendam as condições mínimas para serem bem executados. Outra modalidade importante na qual continuamos atuando é a execução de obras de infraestrutura de grande porte, porém por meio de clientes privados que entram nas PPPs (parceria público privada) ou em projetos de concessão liberados pelos governos.

A Andrade Gutierrez teve, no passado, grande parte de seu faturamento proveniente de obras executadas no exterior, como na África e no Oriente Médio. Ao se voltar mais para a inciativa privada, a empresa está investimento também em sua atuação fora do país? Para isso, a empresa pretende utilizar mão-de-obra brasileira de engenharia ou a área de projetos será contratada no exterior?

Como dito anteriormente, não tomamos a decisão de não trabalhar para o setor público. Continuamos, sim, olhando para esse setor e para os projetos que forem apresentados, no Brasil e no exterior. Hoje, por exemplo, mantemos contratos de obras com países na África. A diferença é que avaliamos projetos com fontes de financiamento garantidas. Hoje, temos obras com financiamento de bancos e agências de fomento à exportação da Alemanha e outros países europeus. O que acontece nesses casos, assim como acontecia quando a empresa trabalhava com o BNDES como fonte de financiamento, é que há uma obrigatoriedade de contratação e exportação de bens e insumos dos países de origem do financiamento. Era assim que acontecia quando fazíamos uma obra no exterior com o financiamento do BNDES. Havia um fomento à exportação de mão de obra nacional e compra de insumos brasileiros para o projeto. No momento em que lançamos mão de fontes de financiamento de outros países, nos comprometemos em contratar e comprar insumos desses países de origem do financiamento.

Que possibilidade de negócio o acordo entre o Mercosul e a União Europeia oferece? A Andrade Gutierrez é uma empresa competitiva para disputar o mercado europeu? No sentido contrário, há risco de as construtoras brasileiras perderem mercado no Brasil para as empresas europeias?

Hoje, a Andrade Gutierrez já atua na Europa por meio da Zagope Engenharia, com sede em Portugal. Já conhecemos bem o mercado europeu e nosso planejamento futuro prevê o fortalecimento da nossa operação no continente. Acredito que o acordo entre União Europeia e Mercosul deva facilitar o intercâmbio de tecnologia e possibilitar uma atuação mais integrada entre as empresas dos dois continentes. Em relação ao mercado sul-americano e brasileiro, acreditamos que também estamos bem posicionados em relação aos competidores e seguiremos com o planejamento de ganhar mercado nos países nos quais já atuamos. Hoje, com os investimentos que fizemos em excelência operacional e inovação, somos tão ou mais competitivas do que qualquer construtora de qualquer nacionalidade. A competitividade será medida pelo nível da qualidade de entrega dos projetos e entendo que estamos no caminho certo para isso.

Recentemente, a Andrade Gutierrez ganhou, no setor de Construção e Engenharia, o primeiro lugar no prêmio Inovação Brasil. Quais foram os diferenciais em oferecidos pela Andrade Gutierrez que possibilitaram a conquista do prêmio?

Esse prêmio coroou um trabalho que vem sendo desenvolvido há pelo menos cinco anos, quando praticamente inauguramos a palavra “inovação” no setor de engenharia brasileira. Fomos a primeira empresa do setor a criar uma área de inovação e lançar um desafio para que as startups voltadas para engenharia apresentassem soluções para desafios reais que temos nos nossos projetos. A partir desse chamamento realizamos uma seleção dessas startups e as trouxemos para dentro de casa, praticamente como uma incubadora. A partir daí elas ganhavam com a possiblidade de aplicar suas soluções no campo real e nós com a possibilidade de contratação dessas soluções em larga escala, melhorando a qualidade dos projetos e nos tornando mais competitivos. Hoje estamos no segundo ciclo desse chamamento de startups e muito satisfeitos com os resultados alcançados até agora.

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