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Carta ao Jovem Engenheiro

 

Por Marya Karolline Vaz Bertoldo *

As Universidades no Brasil facilitaram a entrada de novos estudantes. Nos dias de hoje, temos programas como o Prouni, Fies, dentre outros meios disponíveis. Com esses acessos, hoje temos muitos jovens com curso superior, principalmente na área de engenharia. Porém, nesse cenário em que o Brasil se encontra, esses mesmos recém-formados possuem apenas o diploma na mão, pois a oferta de empregos não condiz com o número de graduados. Diante disso, temos que nos sobressair, começar a construir um bom currículo no período da faculdade. Os estudantes de engenharia não devem se preocupar apenas com os cálculos, as físicas e químicas. Precisam ir além.

Quando eu era apenas uma estudante do primeiro período de engenharia, tive um dos melhores conselhos vindo de uma pessoa em que eu me espelhava. E eu me lembro até hoje de cada palavra, que era o seguinte: “Largue o emprego em que você está hoje (não era relacionado à engenharia), passe fome se for preciso, comece a dar monitoria na sua faculdade, procure cursos extras, faça uma iniciação cientifica, vá para congressos, procure um estágio, faça intercâmbio, aproveite seu período de faculdade para seu crescimento profissional, comece lá o seu currículo e então, com isso, você estará preparada para concorrer às vagas de empregos dentre os melhores”.  E eu segui cada detalhe desse conselho. Coincidência ou não, cumpri cada um na ordem em que ela havia me falado. Não foi fácil, pois conciliar as temidas disciplinas de engenharia, todas as tarefas extras e ainda o trabalho exigia muito de mim. Foram anos de dedicação exclusiva à faculdade. O único que eu não consegui cumprir no período do meu curso, mas que estou fazendo agora, é o intercâmbio nos EUA. Eu sei que esse é um dos principais diferenciais para bons empregos no Brasil. Mas o que eu quero dizer com isso? Que você estudante, ou recém-formado, é capaz de ir além. Ter esse conselho na minha época de estudos me ajudou a me tornar a profissional que eu sou hoje e eu queria repassar isso para vocês.

Além de toda essa dedicação extra no período de graduação, os recém-formados precisam continuar os estudos, pois o bacharelado tornou-se apenas a primeira exigência no currículo. São várias as formas em que o profissional pode se qualificar e depende de qual setor o mesmo pretende seguir. A pós-graduação e os cursos de curta duração são alguns dos meios mais rápidos e essenciais. Aqui vale ressaltar a importância de se seguir uma linha lógica de estudos\cursos para que o profissional adquira um bom conhecimento na área escolhida e, dessa forma, conquiste a capacidade de solucionar problemas. Além do mais, continuar no processo de aprendizado nos abre um leque de oportunidades e um excelente meio para network.

O mestrado é outra opção para os recém-formados, e uma das minhas escolhas devido a alguns objetivos que tenho em mente. Com essa crise, ampliou-se o número de candidatos por vaga em várias universidades do País, principalmente para aquelas que se oferecem bolsas de estudos, benefício de extrema importância para o mestrando, uma vez que o mesmo precisa estar em dedicação exclusiva aos estudos e às pesquisas.  Em conversa com alguns candidatos a essas vagas, notei que a escolha pelo mestrado seria para continuar no meio acadêmico, fazer novas conexões e esperar o final da crise para tentar ingressar no mercado de trabalho. No meu caso, o mestrado seria para ir além.

O intercâmbio para os EUA foi um dos meios que decidi utilizar para continuar meus estudos. O inglês e a experiência internacional são essenciais para bons empregos. Sempre encontro jovens brasileiros que, assim como eu, viram que era um bom momento para continuar seus estudos fora do País e voltar com mais bagagem. Hoje, tenho uma visão mais ampla sobre o mercado. Não vejo apenas o Brasil, vejo oportunidades no mundo todo, tanto para estudos quanto para empregos. Tudo o que temos que fazer para sermos bem-sucedidos na vida é sair da zona de conforto, mesmo tendo que começar do zero.

*Marya Karolline Vaz Bertoldo é engenheira e diretora licenciada da SME, morando no EUA.

 

 

 

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