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Com reservatórios cheios, “caixa d’água do Brasil” garante tranquilidade na geração de energia

As chuvas que caem a um mês e meio sobre a porção central do Brasil estão fazendo com a que a região faça jus ao título de “caixa d’água do Brasil”. De acordo com informações desta quarta-feira, 4, do Operador Nacional do Sistema (ONS), dos 20 principais reservatórios existentes nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, nove já estavam com mais da metade de seu volume útil ocupado. O recorde é o da usina de Três Marias, na região central de Minas, com 94,39%.

Devido às fortes chuvas registradas do período de Carnaval, no dia 28 de fevereiro, a Cemig precisou abrir parcialmente as comportas de Três Marias. Conforme a companhia, o procedimento se fez necessário para evitar que a represa atingisse o limite de armazenamento.

Represa de Três Marias está com 94,39% de sua capacidade ocupada, recorde entre as hidrelétricas de todo o país Foto: Cemig/Divulgação

Com um percentual um pouco menor de armazenamento, na faixa de 80%, estão as usinas de Billings, no Rio Tietê (86,61%); Barra Bonita, também no Rio Tietê (87,35%); São Simão, no rio Paranaíba (87,95%), e Mascarenhas de Morais, no Rio Grande (81,75%). As barragens das usinas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por cerca de 70% da energia elétrica gerada no país estão, na média, com um volume de água armazenada da ordem de 43,37%.

Esse percentual só não é maior porque, no extremo oposto das barragens com pouca água, estão, por exemplo, Serra da Mesa, no Rio Tocantins, que operava com 18,76% de sua capacidade de armazenamento, e quatro barragens do rio Paranaíba: Serra do Facão (25,49%), Emborcação (28,20%), Nova Ponte (34,43%) e Itumbiara (37,60%).

Nordeste – Na região Nordeste, das quatro barragens de hidrelétricas, apenas uma opera com água em menos da metade da capacidade de armazenamento. É a da usina de Itaparica, no rio São Francisco (41,45%). O nordeste responde por um percentual pequeno (17,7%) da energia que é produzida no país – quatro vezes menos que nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

No Sul, diferentemente do que ocorre na região central do país, este ano as barragens estão em situação crítica. Praticamente todas estão um volume de água em menos menos da metade. Das 12 principais, apenas uma, a da da usina de Ernestina, no rio Jacuí conseguiu ultrapassar essa linha, pois está com 73,52% de sua capacidade ocupada. Nos demais, a situação é crítica, pois metade opera com menos de 10% de sua capacidade. O pior caso é Machadinho, no rio Uruguai, com 7,16%.

A situação só não afeta o quadro nacional porque a região sul do país responde por apenas 6,6% da energia elétrica gerada no país. No caso, a situação boa dos reservatórios da região Sudeste compensa o das demais regiões, onde a chuva tem sido mais escassa este ano.

Bandeira verde – Por causa disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica ( Aneel ) informou, no final de fevereiro, que manterá no mês de março a bandeira tarifária na cor verde, sem cobrança extra na conta do consumidor. A bandeira foi a mesma aplicada em fevereiro. De acordo com a agência, a decisão de manter a bandeira na cor verde se deve a recuperação nos níveis dos reservatórios em virtude do volume razoável de chuvas no mês de fevereiro.

“Em fevereiro, os principais reservatórios de hidrelétricas do Sistema Interligado Nacional (SIN) apresentaram recuperação de níveis em razão do volume de chuvas próximo ao padrão histórico do mês. A previsão para março é de manutenção dessa condição hidrológica favorável, o que aponta para um cenário com elevada participação das hidrelétricas no atendimento à demanda de energia do SIN, reduzindo a necessidade de acionamento do parque termelétrico”, informou a Aneel.

Segundo a agência, o volume de chuvas refletiu-se na redução do preço da energia no mercado de curto prazo (PLD) e dos custos relacionados ao risco hidrológico (GSF). O PLD e o GSF são as duas variáveis que determinam a cor da bandeira a ser acionada. Criado pela Aneel , o sistema de bandeiras tarifárias sinaliza o custo real da energia gerada, possibilitando aos consumidores o bom uso da energia elétrica. O funcionamento das bandeiras tarifárias tem três cores: verde, amarela ou vermelha (nos patamares 1 e 2), que indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração.

“Os recursos pagos pelos consumidores vão para uma conta específica e depois são repassados às distribuidoras de energia para compensar o custo extra da produção de energia em períodos de seca, informou a Aneel. O acréscimo cobrado na conta pelo acionamento da bandeira amarela passou é de R$ 1,34 a cada 100 kWh consumidos. Já a bandeira vermelha patamar 1, o valor a mais cobrado é de R$ 4,16 a cada 100 kWh e no patamar 2 da bandeira o valor é de R$ 6,24 por 100 kWh consumidos. A bandeira verde não tem cobrança extra.

Assessoria de Comunicação da SME com Agência Brasil

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