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Consultor afirma que segredo para as empresas é sobreviver e inovar

O administrador Ricardo Vinicius Jordão é categórico em relação aos ajustes a serem feitos em épocas, como a atual, de crise. O remédio, a seu ver, é combinação de soluções tradicionais com a inovação. É ajustar o fluxo de caixa para que a empresa continue operando e, ao mesmo tempo, além desse ajuste ortodoxo, aumentar os investimentos em inovação. “Nesse terreno, quem se move primeiro, tem vantagem competitiva. Quem chega primeiro, bebe água limpa. É fato”, afirma Ricardo Jordão, que participou de mais uma edição da Live SME. Ricardo Jordão é PhD em finanças, contabilidade e direito tributário. É também professor de pós-graduação, auditor e consultor. Abaixo, um resumo das idéias por ele defendidas.

Inovação – Inovar não significa, necessariamente, criar um produto novo. A solução pode ser simples, dada por um funcionário que descobre uma nova forma de fazer o que já é feito, porém como mais eficiência e menor custo. Há uma lógica por trás da inovação que é terrível. Porque nós temos uma dificuldade grande em enxergar a inovação, pois ela, muitas vezes, mexe com nossos brios. Para evitar isso, é preciso estar aberto a novas idéias, a enxergar além do horizonte. Porque a concorrência também está disputando essa mensagem. Nesse terreno, quem se move primeiro, tem vantagem competitiva. Quem chega primeiro, bebe água limpa. É fato.

Diferencial – Não é fazendo o que todo mundo faz que você vai ter sucesso. Discuta com sua equipe, busque aprender com seus concorrentes. Busque aprender com outras indústrias, fazendo o benchmarking, que é uma cópia inteligente que você adapta à sua empresa. Você pode buscar o valor de outra indústria, que pode ser um pequeno aspecto capaz de melhorar a forma de fazer negócio em sua empresa.

Importância da marca – Uma questão importante é o cuidado com a marca, porque, principalmente em um ambiente virtual, se você vai comprar em alguma coisa, você compra em uma loja da qual você nunca ouviu falar? Você compra uma marca que você não conhece? Ou você acaba tendendo a comprar em uma loja que já tem um certo nome, ou de uma marca que tem certa associação com qualidade? Isso é fundamental, o valor da marca, o valor da reputação, que tende a crescer em momentos como o atual. Nesse cenário, a questão do engajamento com o cliente e as interações que você proporciona são a chave para o sucesso. Você pode usar a inteligência artificial para filtrar as preferências de seu consumidor, o que já é feito pelos robôs que vão dar respostas mais objetivas para as coisas que a gente quer.  Do ponto de vista da engenharia de software, ou do ponto de vista do relacionamento com o cliente, isso tem que ser mais refinado. Nós temos que trabalhar a engenharia de processos, a engenharia industrial, para oferecer o melhor nessa questão.

Ricardo Jordão considera que, no atual momento, sobreviver já é uma grande vitória; empresas que partirem para inovação terão ganho extra Foto: SME/Divulgação

Papel das redes – Para uma rede funcionar e ser exitosa, ela tem que promover alguns benefícios relacionados à interação, ao compartilhamento de idéias, conhecimentos, experiências, informações a integração entre as pessoas. Quando isso acontece, você tem a geração de novos conhecimentos e a conversão desses conhecimentos em inovação. Esse processo, por sua vez, gera capital intelectual, que é um pilar do processo de geração de valor. O valor tem três pilares: o capital humano, o conhecimento das pessoas e o capital estrutural, que é formado por processos, sistemas, tecnologias e estruturas para reter esse conhecimento das pessoas e transformar esse conhecimento em um ativo. Isso vale mais que dinheiro e, muitas vezes, as pessoas não sabem explorar isso adequadamente. Quem tem amigo, tem tudo. Faça com que sua empresa tenha um setor de relacionamentos. Não foque só na transação. Em uma transação, você quer vender pelo maior preço e o cliente quer comprar pelo menor preço. Às vezes, você faz uma venda, mas arrebenta o cliente, que ficou insatisfeito. Se você não pensar numa perspectiva inovadora de ter esse relacionamento como base da sua empresa, você perde seu cliente e também perde valor.

O curto prazo – Como solucionar o problema de quem conseguiu mudar o modelo de negócio e caiu no dilema de não ter caixa hoje, mas só daqui a um tempo? Você vai para o financiamento. Vai chamar seus financiadores e alongar perfil da dívida. Vai reestruturar sua operação com a pessoa de quem que você compra. Tem que renegociar com credores. Explicar para eles que é melhor receber menos do que simplesmente não receber nada. Pois se ele quebrar, não recebe nada. Você pode, em um momento de crise, chamar na mesa seus credores e discutir com eles a sua engenharia financeira. Afinal, tenho que orientar meu modelo para a geração de valor, mas não posso esquecer o presente.

Prioridades – Nesse momento, não é hora de distribuir dividendos. É hora de reter o dinheiro para fazer investimentos. Nesse momento, é hora de cautela. Se for ampliar o negócio, tem que estudar quais investimentos valem realmente a pena. Às vezes, vale a pena se desfazer de algum negócio. Vão-se os anéis, mas ficam os dedos. Às vezes, a empresa é muito grande e não está dando conta de tudo. Vai ser preciso repensar o negócio. É disso que estamos falando. É identificar a realidade da empresa, a realidade do mercado segundo as oportunidades e fazer os ajustes necessários para sobreviver. Custe o que custar, é preciso sobreviver. As empresas que sobreviverem, vão prosperar. Imagine que há dez padarias no seu bairro e quatro quebraram. As pessoas não vão parar de comprar pão depois da crise. Mas as seis que ficaram vão vender mais pão, vão fazer mais negócios. Em qualquer que seja seu ramo, se o concorrente quebra, abre mais oportunidades. Sobreviver, nesse momento, portanto, já é uma grande vitória.

Papel das universidades – É preciso trabalhar pela integração do tripé Estado, empresa e universidade. Foi-se o tempo em que eles podiam estar separados. Os acadêmicos muitas vezes ensinam o que vem nos livros. Mas eles não conhecem a empresa, o chão de fábrica da indústria. O empresário critica o acadêmico por isso. E com razão. O acadêmico critica o empresário porque está desenvolvendo ferramentas fantásticas, mas vê que o cara está na década de 1940, 1950 e está afastado do que está sendo produzido na academia. Já o Estado não está dando conta de lidar nem com os próprios problemas. Então, a chamada é para uma integração entre academia, governo e a indústria. Isso vai se dando de forma gradual e é um processo que pode começar com qualquer uma dessas realidades. As nações mais desenvolvidas são as que fizeram isso melhor, como Estados Unidos, Japão, Suíça, Alemanha, Holanda, Reino Unido, etc. O grande ponto é a necessidade de proposição de soluções práticas na universidade, de soluções que  sejam inovadoras para os problemas da indústria, que, por sua vez, deve financiar projetos de pesquisa da universidade, estimulando que os alunos de mestrado, doutorado e até mesmo de graduação façam pesquisas para solucionar problemas das indústrias. Abram as informações. Chame essas pessoas para conversar e ter a humildade de construir a partir disso. Seja menos autoritário, menos centralizador. Se não tiver a capacidade de enxergar que você tem um grande parceiro na universidade, você está fora da economia do conhecimento. Porque a economia do conhecimento não aceita outra coisa que não seja a inovação continuada.

SME/Assessoria de Comunicação

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