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Covid-19 – Aqui e na China, construção civil evita crise na mineração

No Brasil, como na China, a construção civil foi um apoio importante para que a indústria de mineração não entrasse em crise com a pandemia do coronavírus. Na China, cuja economia foi muito afetada após a divulgação dos primeiros casos, no início do ano, ocorreu uma redução do consumo de aço, consequentemente, do minério de ferro. Mas, tão logo a pandemia foi controlada por lá, o governo chinês deu início a um programa de reativação de sua economia, que se deu por meio de incentivos à indústria da construção civil.

Aí, entrou em cena o aço, que, na China, é um dos componentes principais da construção civil, diferentemente do Brasil, onde a estruturação das edificações não é feita em concreto. “Houve uma ligeira queda nos primeiros 45 a 60 dias, mas, logo a seguir, a China recompôs os estoques e aumentou a demanda por minério de ferro”, afirmou o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Flávio Penido.

Por aqui, a construção civil também ajudou garantir o bom desempenho da mineração no primeiro semestre do ano. Só que o minério que serviu de base para isso é de outro tipo. Trata-se do calcário dolomítico, principal insumo utilizado pela indústria de cimento, sem a qual não é possível erguer as estruturas de concreto que sustentam as edificações, cenário diferente da China, onde essa função é cumprida pelo aço. Segundo Flávio Penido, entre o primeiro e o segundo trimestre do ano, o faturamento da mineração de calcário dolomítico cresceu quase 50% no país.

Construção civil: na China, a estrutura metálica; no Brasil, o concreto; em um e em outro, a forte presença da mineração Foto: Structural Engeneering World e Antônio Cruz/Agência Brasil

Incentivo – No Brasil, o incentivo para a indústria da construção civil não veio diretamente do governo, como na China, mas do próprio mercado. O governo deu um empurrão inicial, ao reduzir a taxa Selic ao nível mais baixo de sua história. Com isso, muitas pessoas passaram a entender que em, vez de aplicar seu dinheiro no mercado financeiro, valia mais a pena investir em um bem de menor volatilidade, como o imóvel.

Por conta dessa movimentação, ocorreu também, segundo o presidente do Ibram, um incremento das atividades da mineração de ouro, metal que, em momentos de crise, cumpre a mesma função do imóvel: ser um ambiente seguro para os investidores. “Em um momento de incerteza, como o de uma pandemia, todo mundo procura um ativo real, como o ouro”, ressalta Flávio Penido.

Com isso, a mineração de ouro fechou o segundo trimestre com um faturamento, segundo o Ibram, de R$ 5,4 bilhões, superior em cerca de 30% ao do trimestre anterior, que ainda não havia incorporado o cenário criado pelo coronavírus. Em seu conjunto o faturamento da indústria de mineração no Brasil apresentou um aumento de 9%, passando de R$ 36 para R$ 39 bilhões entre um trimestre e outro.

Pós-Covid – Ainda que a pandemia não tenha causado maiores estragos à mineração, o setor já se prepara para um cenário pós-coronavírus. Nele, segundo Flávio Penido, o home office e as reuniões por videoconferência serão dois componentes importante. Há que aposte também, por exemplo, em uma redução do consumo de aço, já que as pessoas sairão menos de casa e isso impactaria, entre outros segmentos, o transporte, seja ele público ou privado. Flávio Penido não acredita que isso se torne realidade, porque, como ele ressalta, o aço é um componente importante da sociedade moderna.

No transporte, por exemplo, em meio século ocorreu uma mudança substancial na configuração dos veículos, que eram muito maiores que os de hoje, ou seja, eram produtos que continham um volume de aço muito maior, do ponto de vista unitário. O que ocorreu, argumenta o presidente do Ibram, foi que o tamanho dos automóveis diminuiu e o aço que era utilizado para a produção de um veículo passou a ser suficiente para duas ou mais unidades. Mas, no seu conjunto, o aço continuará a ser, de acordo com o presidente do Ibram, um insumo do qual a sociedade moderna não pode abrir mão.

Na lavra, em um mundo pós-Covid, Flávio Penido acredita que haverá uma insersão cada vez maior de máquinas operadas à distância, a exemplo dos caminhões fora de estrada e de equipamentos que fazem a perfuração a uma distância grande do solo, como os que existem na mina da AngloGold Ashanti, em Nova Lima, na região Central de Minas, onde o operador está na superfície, mas a máquina faz o trabalho remoto a mais de mil metros de profundidade.

Relacionamento – Além disso, com a pandemia, a mineração está buscando novos canais para estreitar o contato entre os diversos componentes de sua cadeia produtiva. Recentemente, realizou o evento E-mineração, que reuniu, por videoconferência, em uma semana, 22 grandes mineradoras e quase 600 fornecedores. “Reunimos cerca de 18 mil pessoas, seja para participar, negociar ou debater temas relevantes para a mineração”, afirmou o presidente do Ibram, que considera o E-mineração uma iniciativa já incorporada ao calendário da instituição que, entretanto, não pensa em encerrar o evento mais tradicional do setor, a Exposibram, que este ano seria realizado em agosto, mas foi adiado para novembro, por causa da Covid-19.

De acordo com Flávio Penido, há espaço na agenda da entidade para os dois eventos, cada um cumprindo um objetivo específico. Ele explicou que o E-commerce visou atender a uma reivindicação antiga que chegava à entidade no sentido de ela ser a intermediária entre fornecedores e empresas do setor, algo que, por razões éticas, o Ibram não poderia, segundo ele, fazer de forma individual, porque poderia gerar comentários de que a entidade estaria privilegiando este ou aquele fornecedor. Com o E-mineração, esse problema, segundo Flávio Penido, deixou de existir e todos os fornecedores puderam entrar em contato com as grandes empresas do setor de forma transparente e ética.

SME/Assessoria de Comunicação

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