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De olho no futuro, Codemge aposta nas novas tecnologias

Dante de Matos apresentou seus projetos em evento realizado na Sociedade Mineira de Engenheiros (SME)

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SME/Divulgação

Imagine uma empresa que tem um pé no passado e outro no futuro. Essa empresa é a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). O passado está representado, por exemplo, pelos cerca de três mil imóveis que formam seu patrimônio imobiliário e pela operação do Terminal Rodoviário de Belo Horizonte; seu pé no futuro está em empreendimentos como as fábricas de superímãs de terras raras e de baterias de lítio-enxofre e a unidade de processamento de grafeno, prevista para entrar em funcionamento em 2023, em Belo Horizonte, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN). As informações foram dadas pelo presidente da Codemge, engenheiro Dante de Matos, em debate nesta segunda-feira na Sociedade Mineira de Engenheiros (SME).

O laboratório-fábrica de imãs de terras raras está em fase final construção em Lagoa Santa (foto), devendo entrar em operação em janeiro do ano que vem, para atender um mercado que consome cerca de 118 mil toneladas/ano e que é dominado, em 90%, pela China. Com a fábrica, o Brasil irá agregar valor às suas reservas de terras raras – um subproduto do rejeito de nióbio, mineral do qual o Brasil é um dos principais produtores mundiais.

O imã de terras raras é utilizado em motores elétricos, automotivos e de elevadores; e também em separadores magnéticos, entre outros usos. Trata-se, de um empreendimento, segundo Dante de Matos, estratégico para o Brasil. Isso porque, dentro de 20 anos, as reservas chinesas chegam ao final, abrindo um mercado de grande potencial para o Brasil, que detém, logo abaixo da China, as maiores reservas destes minerais.

Outra aposta da Codemge é o mercado de baterias de lítio-enxofre, para atendimento da crescente demanda do mercado de veículos elétricos, em substituição aos que usam motores a combustão. O projeto da fábrica está, segundo ele, praticamente pronto. Terá área de dez mil metros quadrados e está prevista para ocupar as antigas instalações da fábrica de sapatos San Marino, ao lado da rodovia que liga Belo Horizonte ao aeroporto de Confins.

Sua produção será de 1,2 milhão de células por ano, quando entrar em operação, em 2021. A bateria de lítio-enxofre diferencia-se das tradicionais, de íon-lítio, porque tem um tempo de carregamento mais rápido e consegue armazenar três vezes mais energia. De acordo com Dante de Matos, o mercado mundial de baterias é da ordem de US$ 120 bilhões. De acordo com o Serviço Geológico Brasil (CPRM), o país tem aproximadamente 8% das reservas mundiais de lítio, localizadas, em sua maioria no Vale do Jequitinhonha.

Outro empreendimento com o qual a Codemge pretende colocar o pé no futuro é a fábrica de processamento de grafeno, a MG Grafeno. No momento, de acordo com Dante de Matos, o projeto está em sua primeira fase, que é a de desenvolvimento do processo que permita a produção do grafeno em escala industrial. O grafeno é um excelente condutor de calor e eletricidade. É considerado o mais forte material já encontrado, consistindo de uma folha de átomos de carbono densamente compactados.  Minas tem reservas de ótima qualidade, sendo o terceiro maior produtor mundial. Na UFMG está um dos centros pioneiros nas pesquisas com o grafeno no país. Para Dante de Matos, o projeto é importante porque irá fomentar o desenvolvimento de uma área industrial de alto impacto tecnológico e alto valor agregado.

A ideia, segundo o presidente da Codemge, é concentrar os investimentos estratégicos da Companhia nestas três áreas: grafeno, baterias de lítio-enxofre usina de imãs terras raras, explorando a sinergia entre elas. “É o futuro. E não tem como ser de outro jeito”. Nesses projetos, a Codemge participa sempre com menos de 50% do capital, caso contrário, tornaria-se sócia majoritária, o que segundo ele, não é intenção da empresa. Os recursos para estes investimentos vêm dos recursos que a empresa recebe – da ordem de R$ 1 bilhão por ano – da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), pela exploração do nióbio em Araxá.

Passado – Ao mesmo tempo em investe em projetos de alta tecnologia, a Codemge mantém um pé no passado, representado, por exemplo, pela operação da rodoviária de Belo Horizonte, que estava arrendada à prefeitura de Belo Horizonte e foi retomada recentemente. Nela, a Codemge fez investimentos para melhorar sua operacionalidade, como, por exemplo, na acessibilidade. O próximo passo será sua devolução ao Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). Para retirar o pé no passado, a Codemge pretende também, no próximo ano, iniciar a venda dos ativos que não fazem parte de sua missão atual, que, segundo ele, é buscar empreendimentos que dêem resultado mais perenes para a economia mineira.

Entre os ativos dos quais a Codemg pretende se desfazer está a participação do Estado na fábrica de helicópteros da Helibrás, em Itajubá, os distritos industriais que o Estado construiu mas não foram ocupados e os imóveis, cuja venda a Codemge pretende realizar ano que vem.  Para ele, a empresa desfazer-se desse ativos é importante para que possa focar em seus projetos futuros. “Se a gente não olha para traz, não vamos olhar para frente”, afirmou Dante de Matos.

A necessidade de se fazer a ponte entre o presente e o futuro é, no entender do engenheiro Wilson Leal, integrante da diretoria da SME, o principal ponto que ele destacou na fala do presidente da Codemge. “Temos que olhar para frente, mas sem descuidarmos do passado”, afirmou o diretor da SME.

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