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Em chapa de consenso, Virgínia Campos assume SME em dezembro

A partir de dezembro, a Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) terá nova diretoria. A entidade será presidida por Virgínia Campos, que substitui Ronaldo Gusmão, cujo mandato chega ao seu final após três anos. O nome de Virgínia Campos deverá ser referendado como presidente da SME no próximo dia 3, data prevista para a eleição. A posse ocorrerá em 1º de dezembro, coroando um processo eleitoral que parecia apontar para uma disputa entre três chapas, algo inédito na história da entidade, que completa 90 anos em fevereiro próximo, mas que, ao final, caminhou para o entendimento em torno de uma única chapa, que ganhou o nome “A União como Força”.

Virgínia Campos é engenheira civil e sanitarista e diretora-geral da empresa de consultoria Limiar Ambiental e integrante do Conselho de Meio Ambiente da Federação das Indústrias no Estado de Minas Gerais (Fiemg). Na SME, foi vice-presidente entre 2015 e 2017. Foi também conselheira do Plenário e da Câmara Normativa Recursal do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) entre 2017 a  2019 e presidente da Comissão Técnica de Desenvolvimento, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da SME entre 2015 e 2019.

“É muita honra ser presidente da SME. É um trabalho de muita responsabilidade pelo rico histórico e protagonismo em passagens importantes da SME no desenvolvimento de Minas Gerais e espero estar à altura de tão importante função, afirma Virgínia Campos. Antes do acordo, Virgínia liderava a chapa “Engenharia Já”. As duas outras eram a “Novos Tempos”, à frente da qual estava Krisdany Cavalcante, e “Um salto para o futuro”, que era liderada por Carlos Augusto Leite Brandão. O consenso foi construído ao longo da segunda quinzena de setembro e formalizado em 2 de outubro, por meio de uma reunião virtual da qual participaram os líderes das três chapas.

O processo eleitoral iniciou-se ao final de fevereiro. Porém, devido às incertezas decorrentes da pandemia, inclusive com restrições de funcionamento da SME por orientação das autoridades de saúde, as eleições foram adiadas por duas vezes. Nesse meio tempo, ocorreu também o falecimento do líder de uma das chapas, Márcio Trindade, que no decorrer do processo foi substituído por Carlos Augusto Brandão.

Virgínia teve apoio de Carlos e Krisdany. Prioridade é definição de uma política de governança para a SME Foto: SME/Divulgação

Maturação – A despeito de todos estes acontecimentos, e, até certo ponto, de forma positiva, a quarentena possibilitou tempo de maturação para que as três chapas que pleiteavam a gestão da SME no triênio 2020/2023 construíssem o alinhamento de seus projetos de gestão em uma proposta única, mais estruturada e mais robusta. Desse esforço, resultou uma equipe de mais de cem profissionais, unindo forças e combinando competências em torno de um novo marco de atuação da entidade.

Para Krisdany Cavalcante o resultado final – o entendimento entre as três correntes – deixa um saldo positivo, que foi o de evitar uma votação presencial em um momento de crise sanitária, da mesma forma que o debate ocorrido quando havia três chapas em disputa também foi, a seu ver, importante. Para ele, tal cenário – o da disputa – propiciou uma mobilização da entidade, a entrada de novos associados e a discussão de inúmeros projetos para a SME. “Do que tem de bonito a democracia, nós cumprimos nosso papel e, no momento final, unimos os projetos e unimos as pessoas”, afirma Krisdany, que se diz otimista em relação ao futuro da SME.

Para Luiz Otávio Portela, que é vice-presidente da SME e também trabalhou pelo consenso, a SME unificada abre caminho para que a entidade busque o fortalecimento de si própria e também da engenharia, que, no entender de Portela, sofre com a perda para outros estados, do poder de decisão de várias empresas do setor. “Minas, nos últimos anos, tem ficado para trás”, afirmou.

Espaço para participação – Para Wilson Leal, que trabalhou pelo consenso, o desenrolar do processo ao longo dos vários meses em que ocorreu mostrou que não havia fatores dissociadores, mas sim um terreno fértil para a fusão. “Foi um agente catalizador da entidade”, afirmou Leal, que enxerga no entendimento alcançado um sinal de que há espaço para uma participação ainda maior dos associados na definição dos rumos da própria SME.

Marita Tavares, que também participou ativamente da busca desse entendimento, afirma que sente-se privilegiada em participar de um movimento histórico como o acordo que envolveu uma centena de engenheiros dispostos a trabalhar pela SME. Ela diz estar certa de que essa união irá contribuir muito para o fortalecimento da entidade. “Como engenheiro tem cabeça aberta, aprendeu que somar é muito mais fácil que dividir”, afirma Ângela Alvarenga, que também trabalhou fortemente pela união das três chapas.

Quem também trabalhou pelo consenso foi Flávio Campos. Ele se diz recompensado pelo trabalho de bastidor que foi o de ajudar a costurar o entendimento entre as três chapas. “Foi muito bacana ver que, no final, todo mundo queria a convergência”. Para ele, o grupo criado nesse entendimento irá propiciar à entidade um futuro promissor.

Carlos Augusto Brandão destaca que o entendimento foi sendo construído como algo natural, e desde o início, com desprendimento e tendo como preocupação fundamental a SME e sua contribuição para a sociedade mineira e para o progresso da engenharia. “Ao longo do tempo, todo mundo viu que não fazia sentido nenhum caminharmos para uma disputa. Pessoalmente, gostaria de continuar a ter uma SME como uma entidade em que eu entrasse sem encarar adversários, mas sim colaboradores em prol do nosso ambiente profissional, que é o da engenharia”. Para ele, o saldo final do processo é o da predominância do despreendimento em prol de um projeto focado na governabilidade da SME e na revisão de processos e procedimentos que privilegiem o contexto social e de engenharia no qual a SME está incluída”, afirmou Carlos Augusto Brandão.

Nova gestão – A proposta de gestão da SME que foi fruto do consenso está estruturada em quatro eixos.  O primeiro é o institucional, cujo objetivo é o fortalecimento da marca SME como uma instituição que represente a classe dos engenheiros, das engenheiras e também as engenharias. Para isso, será buscada maior interação com outras entidades de classe, conselhos e outras instituições vinculadas à engenharia, bem como o poder público, no Legislativo, no Executivo e no Judiciário.

O segundo eixo da gestão será o econômico, por meio do estímulo às atividades que fomentem novos negócios no Estado tendo como base, principalmente, a inovação tecnológica e o empreendedorismo. O terceiro eixo será o da promoção e formação profissional. A idéia é promover atividades de incentivo e premiação de profissionais de destaque na engenharia, oferecer prêmios para trabalhos acadêmicos nos cursos de graduação e criar mecanismos de incentivo ao desenvolvimento de startups voltadas para a engenharia. O quarto eixo será o da interação com a comunidade, que se daria, por exemplo, por meio da promoção de atividades culturais na sede da SME.

Governança – Virgínia Campos destaca como igualmente importante e como uma das primeiras ações à frente da entidade, a criação de uma comissão temporária de governança, cujo objetivo será rever institucionalmente a SME, redefinindo competências, atribuições e formas de funcionamento, de forma a tornar a SME uma instituição mais conectada aos tempos atuais e às mudanças em curso. Para ela, é importante pensar um novo modelo de governança porque sem ele, perde-se um tempo precioso de profissionais com alta especialização que poderiam se dedicar à entidade na forma de trabalho voluntário.

De acordo com Virgínia Campos, a comissão que pretende criar será temporária, porém, a construção da governança será um processo contínuo. “E uma mudança de comportamento. É algo essencial e que vai garantir longevidade à SME”, afirmou a futura presidente, que se considera otimista. “Eu acredito no poder do associativismo como forma de unir forças e obter representatividade e percebo em todos uma vontade muito grande em contribuir com a SME, afirmou Virgínia Campos.

Para Ronaldo Gusmão, o atual presidente, a existência de três chapas foi um sinal de que a entidade está com vigor, algo que ele interpreta como sinal de que sua gestão foi positiva. “Significa que fizemos uma gestão proveitosa e participativa”. Porém, tendo em vista o atual contexto do país, ele considera o consenso a solução mais acertada. “Com o consenso, a entidade sai fortalecida ainda mais”. Para Ronaldo Gusmão, a SME tende a ter um papel cada vez mais relevante na sociedade, tendo em vista o avanço das tecnologias da informação, cenário no qual, ressalta ele, a engenharia terá papel de destaque. “Tecnologia da informação é engenharia pura”, afirma o presidente da SME, para quem é fundamental as organizações da sociedade civil acompanharem esse processo para que se transforme em política pública.

 SME/Assessoria de Comunicação

 

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