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Engenharia no século do conhecimento – Por Mário Neto Borges

 

Por Mario Neto Borges*

Este é o século do conhecimento, nele o tripé ciência, tecnologia e inovação tem sido o insumo decisivo da competição entre os países nos últimos anos. Não se trata do conhecimento acadêmico, burocrático, tradicional, apenas das bibliotecas, mas sim aquele que, gerado nas Universidades e centros de pesquisa, se torna um elo fundamental da corrente do desenvolvimento sustentável, disponibilizado para benefício e usufruto da sociedade. Temos mostrado competência para gerar conhecimento no Brasil. Isso é atestado pelos indicadores científicos de produção de artigos, em periódicos indexados. Hoje o País é responsável por 2,7% da produção mundial. No entanto, na inovação temos amargado índices vergonhosos e decrescentes, com uma pequena recuperação no último biênio. A 64ª posição no ranque das nações não é compatível com o potencial que o Brasil tem.

Falta-nos, portanto, avançar na inovação – a transformação desses índices de produção científica, em elementos de desenvolvimento tecnológico, de geração de riqueza. A tecnologia e a inovação se dão majoritariamente nas empresas – isso é o que tem nos ensinado os países desenvolvidos. Portanto, é preciso alavancar a indústria nacional, motivá-la a fazer inovação, a desenvolver tecnologias próprias ao invés de comprar pacotes tecnológicos. A engenharia nacional tem, por conseguinte, um papel fundamental nesse contexto.

No século passado, existiu grande resistência de agentes públicos e da academia – principalmente no seio das universidades públicas – quanto à interação entre as universidades e as empresas. Felizmente essa visão vem mudando na medida em que muitos doutores vão sendo formados, no País e no exterior, e conseguem desenvolver pesquisas que dão origem à produtos de interesse da sociedade, como medicamentos, aplicativos e dispositivos eletrônicos, para ficar em poucos exemplos. Produtos esses que são concebidos nas universidades e transferidos para empresas já existentes, ou que irão gerar novas empresas eles mesmos. Os chamados ambientes de inovação vêm crescendo no País a olhos vistos e neles a engenharia moderna é a responsável pela transformação da ciência em produtos e soluções. O uso da inteligência artificial, da internet das coisas, da computação em nuvem vem criando uma engenharia automatizada e robotizada de alta eficiência garantindo a qualidade e baixando o custo dos produtos – é a indústria 4.0. Esse novo cenário tecnológico e de inovação requer profissionais qualificados e adequadamente preparados para essa realidade moderna o que significa também um grande desafio para os cursos de engenharia do País que – necessariamente – precisam se modernizar para preparar os engenheiros que irão atuar neste contexto.

É estratégico para o Brasil, especialmente neste momento de mudanças, avançar nas políticas e incentivar, priorizar e financiar, o desenvolvimento tecnológico e a inovação. Isso é necessário e urgente para levar o conhecimento científico produzido ao ponto em que venha aperfeiçoar a indústria, tanto na criação de novos produtos, quanto na melhoria da qualidade daqueles já existentes. Isso dará mais competitividade à indústria brasileira, gerando mais trabalho, renda e impostos. Em outras palavras, criando um ciclo positivo e moderno de desenvolvimento. Não o fazer significa ficar para trás na competição nacional e mundial. Se quiser avançar mais no desenvolvimento integral, o País deve se libertar dos paradigmas do século passado.

*Mario Neto Borges – Presidente do CNPq

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