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Entrevista: Joel Krüger – Presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia

Segundo dados do Caged 49.356 engenheiros e arquitetos perderam seus empregos entre 2015 e 2017. Neste número, ainda podemos somar 120 mil profissionais que se formaram no período com a esperança de uma colocação no mercado de trabalho.

Em visita à Sociedade Mineira de Engenheiros, Joel Krüger, Presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, falou sobre esse cenário e deu dicas importantes para os profissionais da área.

Qual a sua análise sobre esse cenário atual e qual o seu conselho para esses profissionais que estão em busca de uma colocação?

Nós temos quase 50 mil profissionais que perderam seus empregos, mas a situação é muito mais crítica, porque nós temos o subemprego também. Profissionais que estão trabalhando com uma remuneração muito mais baixa. Somamos ainda o contingente que está concluindo em breve o curso de engenharia e vai entrar no mercado de trabalho. Para reverter essa situação nós precisamos fazer uma ação junto ao governo federal para trabalhar com a infraestrutura, retomando um plano de obras para todo o Brasil. Podemos trabalhar com parcerias público-privadas, incentivando o setor privado a investir novamente no país. Para isso nós precisamos estabelecer regras claras de longo prazo e ter um bom planejamento. O governo federal não tem hoje um planejamento global com as ações que o país precisa. Então esse seria o primeiro passo para podermos retomar as grandes obras de engenharia nacionais. E retomando essas obras, naturalmente os empregos, não só para os engenheiros como também para outros profissionais, vão surgir novamente.

Em sua opinião, a busca constante por atualização e qualificação pode ser fator decisivo nesse cenário?

A capacitação constante é extremamente necessária em qualquer cenário. Em um cenário de desemprego, o profissional precisa se capacitar porque na hora da retomada do nível de emprego e do desenvolvimento ele precisa estar apto para recuperar o seu posto de trabalho. Mas mesmo com pleno emprego, a educação continuada é fundamental. Cada dia mais o profissional precisa se reinventar. Com a velocidade das mudanças que nós temos hoje no mundo digital e com a velocidade das inovações que aparecem a cada dia dentro da tecnologia, o engenheiro não pode exercer uma vida de profissional apenas com o conhecimento que ele adquiriu na graduação. Então os cursos de pós-graduação, seja especialização, mestrado, doutorado ou cursos de curta duração, têm que ser feitos de maneira continuada.

Quais são as principais características que um profissional dessa área precisa ter atualmente?

Hoje nós precisamos de um profissional que tenha uma capacidade de planejamento muito grande, que é uma coisa básica da engenharia. Mas ele precisa ser inovador, precisa ter um nível de conhecimento que se renove a cada dia e precisa pensar numa atividade global. O conhecimento de língua estrangeira, principalmente o inglês, é fundamental, assim como o conhecimento de informática. Essas são habilidades próprias do engenheiro. Mas, além disso, ele precisa ter habilidades pessoais que são fundamentais: Saber se relacionar, saber trabalhar em equipe e entender a sociedade em que vive para poder encontrar as melhores soluções. Então o engenheiro, além do conhecimento técnico, precisa ter o papel social na sociedade em que vive, pois a engenharia existe para satisfazer a necessidade das pessoas, para construir o sonho delas.

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