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Geração solar cresceu 1.700% em Minas; Cemig rebate críticas de lentidão

Nos últimos meses, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) tem sido alvo de críticas pela demora em atender os pedidos de conexão de fazendas solares à sua rede de distribuição de energia. Em palestra durante a Semana do Engenheiro, a coordenadora de Estudos de Conexão de Acessamento ao Sistema Elétrico da Cemig, Ciceli Martins Luiz, negou que a demora seja fruto de uma determinação da estatal no sentido de não ampliar para outras empresas o mercado de geração de energia elétrica. A demora se deve, segundo ela, à necessidade de investimentos na construção de subestações e redes de transmissão por parte da Cemig. E nem sempre, segundo ela, tais investimento se dão na velocidade esperada pelas empresas que operam as fazendas solares. Abaixo, alguns dos principais pontos da palestra de Ciceli Luiz.

Situação atual – No final de outubro, a gente tinha 336 megawatts de geração distribuída instalados. No dia 15 de novembro, esse número não era mais de 336 megawatts, mas de 447 megawatts. Nossa expectativa é de que, até abril do que ano que vem, esse número chegue a mais ou menos de 450 a 500 megawatts. Isso representa, em média, um megawatt de conexão por dia. É um montante bastante elevado, que faz com nenhuma outra distribuidora de energia do país tenha uma inserção tão forte, principalmente na minigeração distribuída, quanto a Cemig. Nos últimos 36 meses, o crescimento foi de 1.700%. É algo repleto de desafios que têm que ser vencidos. Na Cemig, não foi diferente. A gente passou por situações bastante desafiadoras, bastante complexas, porque era algo que não se tinha visto no Brasil.

Desafios – Isso traz muitos desafios, seja de processos, seja de vistorias, seja de critérios. Há toda uma condição a ser construída para que se possa inserir esse novo elemento [a geração distribuída] com tranquilidade, com segurança, e observando os critérios técnicos de qualidade.

Ciceli Martins explicou, em palestra na Semana do Engenheiro, que para atender pedidos, Cemig teve que investir em subestações e linhas de transmissão

Fazendas solares – Hoje, a geração distribuída remota via fazendas solares está muito focada em buscar preço interno mais baixo para a terra. Ocorre, porém, que ter uma terra mais barata significa que a atividade econômica ali não é muito expressiva. Então, se eu não tenho atividade econômica expressiva, ali eu também não tenho sistema elétrico. Isso é o que a gente vem verificando. E um sistema elétrico não é uma coisa que eu construo na mesma velocidade de uma fazenda solar. Uma fazenda solar de cinco megawatts pode ser construída em cinco, seis meses. No sistema elétrico, só para licitar uma subestação de 108 megawatts, eu gasto em torno de um ano. É obvio que há muita coisa a ser melhorada, mas é óbvio, também, que o desenvolvimento da infraestrutura em nosso país não é algo que se constrói rapidamente. No norte de Minas, tenho uma subestação que vai ser construída para suportar carga extra. Mas ela vai ficar pronta em 2022. Aí vêm as críticas [das geradoras] de que a Cemig está vinculando empreendimento dele a 2022. Sim. Porque que é em 2022 que vai entrar e operação a subestação que vai dar o suporte de tensão de que preciso ali.

Críticas à Cemig – Chamo a atenção para esta questão [críticas à velocidade de conexão à rede distribuidora] porque quando você ouve as pessoas falando que está-se gastando dois anos para se fazer uma conexão, isso acontece porque provavelmente esse local já esgotou sua infraestrutura e eu não tenho mais condição de atender ao que já está colocado lá. Não há como construir 60 quilômetros de linha de transmissão em um piscar de olhos. Infelizmente, as questões relacionadas ao licenciamento, à posse da terra [para a passagem das linhas de transmissão] são muito desafiadoras e fazem com que os projetos de engenharia hoje no Brasil sejam lentos. Aí vêm as críticas de que a Cemig estaria cobrando caro para fazer uma conexão. Isso acontece porque todo mundo quer se conectar no mesmo lugar. Infelizmente a gente demora muito mais para fazer a obras. Hoje, 90% das obras [de conexão] da geração distribuída são a cargo da distribuidora. Em 90% dos 150 casos que mandamos para a Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica], a Cemig pagou integralmente. Isso corresponde ao investimento de R$ 120 milhões em locais onde não havia carga, porque só havia geração.

Reserva de mercado – As pessoas fazem uma falsa idéia de que a Cemig quer proteger o mercado para si. Isso não é verdade. Se existiram problemas de conexão, não é por conta de uma política voltada internamente para dificultar a vida de ninguém. O que aconteceu foi que o crescimento [da geração distribuída] foi muito rápido e para a gente conseguir fazer uma contratação de mão de obra, muitas vezes, você não acha um profissional especializado. Não é assim, num estalar de dedos. Tem que ser por concurso e, muitas vezes, a gente não consegue fazer um concurso para contratar determinado profissional que já tenha experiência no planejamento do sistema elétrico. Um processo que cresceu 1.700% significa que na minha área havia duas pessoas. E hoje já são 15.

Preocupação com a qualidade – A gente, que faz os estudos de conexão, preza pela manutenção das condições prévias de atendimento. Então, um cliente que já está conectado, não pode ter suas condições degradadas em função da inserção de um novo elemento. Tenho que trabalhar com isonomia. Não posso dar condição para um cliente em detrimento do outro. Isso pode parecer que aconteceu no início, mas foi mais em função da desorganização do processo, do que com o intuito de dar uma condição diferenciada para a A, B ou C. A gente tem que olhar o custo global, que é o custo para o sistema elétrico como um todo. Investigação feita pela Aneel em julho não considerou que houve má-fé da Cemig. Ela entendeu que a Cemig, como a maior distribuidora do país, também estava aprendendo.

Benefícios para o sistema – É falsa a ideia de que geração distribuída sempre reduz perdas técnicas e posterga investimentos. Depende de onde a geração distribuída está sendo instalada. Não posso falar que isso sempre acontece. Sempre é uma palavra muito forte. Há situação em que isso é verdade, mas há situações em que isso não é verdade. Nosso trabalho como engenheiro é fazer com que [os aspectos positivos da geração distribuída] aconteçam na maioria dos casos.

O futuro – A geração distribuída é um caminho sem volta. Só que a gente tem que também levar esse conhecimento e esse know-how para a sociedade. A diversificação da matriz proporcionada pela geração distribuída é de fundamental importância que a gente aproveite os benefícios desses recursos naturais. Nós estamos apenas no começo. O potencial a ser explorado ainda é gigantesco. O que vimos até agora foi só o primeiro ponto da curva.

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