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MRV pretende se transformar em uma empresa também de serviços

A MRV é hoje, em seu segmento, o de construção de imóveis residenciais, a maior empresa do país. Porém, o planejamento da companhia para os próximos anos prevê seu avanço em um segmento diferente do da construção. A MRV quer ser também uma empresa prestadora de serviços. Os projetos foram apresentados pelo presidente da MRV, Rafael Menin, em debate realizado na SME. Menin, que está há seis anos à frente da empresa, antevê um futuro promissor para a construção civil. Seu otimismo está assentado na expectativa de manutenção dos juros baixos, redução do desemprego e aumento da renda. Leia, abaixo, os pontos principais da palestra de Rafael Menin.

Retomada do crescimento – No Brasil, felizmente e infelizmente, há muito a ser feito, O Brasil é um país em que falta moradia, falta saneamento, falta rodovia, falta ferrovia, falta aeroporto. Isso mostra o potencial que nosso setor tem pela frente. A gente teve um suspirozinho há uns cinco ou dez anos. O setor cresceu, mas, em função dos problemas fiscais, a gente teve uma queda abrupta da economia, de 2012 para cá. Agora a gente começa a ver uma luz no fim do túnel. Talvez pela falta de investimento público, já que o governo não tem espaço fiscal, o investimento vem todo da iniciativa privada. Isso leva um certo tempo. São as PPPs, as concessões, as privatizações. Isso não acontece do dia para a noite. Assim, infelizmente, a retomada da engenharia tem levado mais tempo do que poderia levar e isso não é muito bom. Mas eu espero que o pior tenha ficado para trás. Tomara que a gente entre em um círculo de crescimento de longo prazo, de forma perene e juros baixos, porque, principalmente, nas grandes obras de infraestrutura, juros baixos fazem uma diferença tremenda. Eu acho que o Brasil está entrando em um ciclo diferente. Eu espero que a gente consiga encontrar solução para a maior parte dos problemas e que, daqui para frente, a gente passe por um ciclo bacana de crescimento e que a engenharia passe a representar, cada vez mais o PIB do país.

Em palestra na SME, presidente da MRV, Rafael Menin, ao centro, detalha os projetos da empresa para os próximos anos. Foto: SME/Divulgação

Mercado habitacional – Todo ano, a demanda do mercado habitacional brasileiro cresce em meio milhão de unidades. A MRV atua em 162 municípios. A gente mira no projeto de fazer 60 mil unidades por ano, o que dá mais ou menos 20% de market share nessas cidades em que a gente atua. Ainda é um mercado bastante pulverizado. A redução dos juros tem um impacto gigantesco. Com isso, muita gente que não estava no mercado, passa a ter condição de comprar um imóvel. Temos hoje um mercado de 500 mil a 600 mil novas moradias por ano. Com os juros baixos, a longo prazo, esse mercado vai crescer para 700 mil ou 800 mil unidades. Claro que a gente precisa de crescimento de renda, de PIB, que é o que está acontecendo agora. Então, nosso mercado específico deve dobrar de tamanho nos próximos três a quatro anos. E vamos ter muito tempo de mercado grande porque no Brasil se forma mais de um milhão de famílias por ano e temos um déficit de seis a sete milhões [de unidades habitacionais]. Com isso, nos próximos 15 a 20 anos, o mercado interno será um mercado gigantesco. Muito maior do que foi no pico de 2013.

Expansão – A MRV foi fundada há 40 anos. Em 1994, começamos nossa dispersão geográfica. Como bom mineiro, fomos para Uberaba e Uberlândia; depois, para o interior de São Paulo – fomos para americana, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Em 2007, fizemos o IPO da companhia e, neste momento, MRV já atuava em mais de 40 cidades do Brasil e fazia por volta de 3 mil apartamentos por ano. Depois do IPO a gente passou por um crescimento acelerado, com o Brasil crescendo muito e a empresa com um caixa muito confortável. Então, a gente pôde passar por um crescimento rápido entre 2007 e 2013. A gente saiu de 3 mil unidades/ano para 40 mil unidades/ano. Crescemos mais de dez vezes em seis anos.

Aluguéis – A Luggo, uma empresa da MRV, constrói empreendimentos 100% para serem alugados. Já temos um empreendimento da Luggo pronto e mais dois em construção em Belo Horizonte. Temos dois prontos em Curitiba e um ficando pronto em Campinas, onde também estamos começando mais dois. Temos dois em São Paulo e dois em Salvador. Devemos começar um em Recife nos próximos meses. Estamos majoritariamente nas capitais. Em regiões localizadas próximo das universidades há muita demanda. A gente procura estar também perto de transporte coletivo. Porque o que as pessoas querem é conveniência. Querem alugar um apartamento muito rapidamente, e que já esteja montado, com mobília, internet, serviços, coworking. Vamos atender a uma demanda que não está sendo corretamente atendida pelo mercado.

Estados Unidos – A MRV comprou, em janeiro, nos Estados Unidos, a AHS, que é uma empresa de locação de apartamentos com atuação na Flórida e que agora está entrando no Texas e na Georgia.  É o primeiro passo de expansão internacional da MRV.

MRV pretende mudar um pouco seu perfil, deixando de ser uma empresa focada, prioritariamente, no Minha Casa Minha Vida. Foto: MRV/Divulgação

Mudança de perfil – Em 2018, a MRV era uma empresa que construía, basicamente, em 95%, para o Minha Casa Minha Vida. No ano passado, esse percentual caiu para 80%. Hoje, a linha premium já representa 20% da companhia. A gente acha que no médio prazo, [a linha premium] vai chegar a 60%, ficando o Minha Casa Minha Vida com 40%. A médio e longo prazos, a meta é chegar a 60 mil unidades construídas por ano. É um desafio muito grande. Mas a gente acha que o Brasil irá proporcionar isso, pois tem crescimento demográfico e redução dos juros; e vai ter crescimento de renda e redução do desemprego.

Construção popular – Por incrível que possa parecer, neste tipo de imóvel, o Brasil está mais avançado que os Estados Unidos. As empresas americanas são mais rudimentares, mais artesanais que as empresas de ponta no Brasil. Já na construção de  prédios mais caros, mais sofisticados e muito altos, de 50 a 100 andares, os americanos estão muito à frente do Brasil. A gente imagina que a AHS será uma via de mão dupla, com muita tecnologia vindo de lá para cá, mas também muita tecnologia indo do Brasil para a empresa americana.

Inovação – Os “squads” são um modelo novo de organização da companhia.  [squad é o nome dado para um modelo organizacional que separa os funcionários em pequenos grupos multidisciplinares com objetivos específicos. Isso significa, por exemplo, que um profissional de marketing atua no mesmo grupo que um programador, um profissional da área de vendas e outro da parte financeira].Com isso, conseguimos trabalhar de forma muito mais rápida e muito mais assertiva. Na MRV, são 35 “squads” em várias áreas – no comercial, na produção, na operação, no RH, na pós entrega.

Tecnologia da informação – Em TI a gente investiu mais de R$ 500 milhões nos últimos oito anos. Foram mais de 250 projetos de TI desenvolvidos internamente. Hoje, a gente tem mais de 10 mil usuários de TI operando os nossos diversos sistemas. Temos uma equipe de mais de 300 pessoas dentro da MRV desenvolvendo os produtos digitais e de TI. Temos também o LAB, um laboratório de startups para aumentar a cultura de inovação dentro da companhia. Lá, tocamos vários projetos e fazemos também a inovação aberta, pois sabemos que a inovação não está só dentro de casa. A inovação aberta é importante para que bons parceiros, boas startups, possam colaborar no desenvolvimento de produtos dentro da MRV. Temos empregado também, nos processos repetitivos, os robôs, que têm sido uma realidade cada vez mais presente dentro da companhia.

Com a Plataforma MRV, empresa pretende ampliar a área de pós-venda, oferecendo serviços relacionados aos próprios imóveis da companhia Foto: MRV/Divulgação

Pós-venda – Hoje, o cliente compra o imóvel na planta e, quando recebe a chave, teoriamente, a relação dele com a empresa é interrompida. Ele só nos liga para renegociar parcelamento ou para reclamar de alguma coisa técnica, como vazamento ou  infiltração. É uma relação atritosa, um passivo que a companhia tem. Nós estamos mudando isso, pois a partir do momento em que ele mora num MRV, ele passa a ter um modelo de habitação completamente diferente. A MRV tem que ajuda-lo a mobiliar a casa, a comprar o eletrodoméstico, a ter uma conta de energia mais barata, a ter uma solução de mobilidade. É um novo ciclo de relacionamento que começa no momento em que a chave é entregue. A grande aposta nossa é essa. Se ele também quiser comprar outro imóvel da MRV, ele pode usar a plataforma para colocar seu apartamento à venda. Todas as transações que ele precisar fazer como morador, poderá fazer na plataforma. Síndico também vai ter, na plataforma, várias ferramentas de gestão condominial. Se precisar pintar a fachada, vai comprar a tinta no nosso sistema. Se precisar trocar o motor do portão, também vamos ajudá-lo. Quanto mais facilidades entregarmos para o nosso cliente, para o nosso síndico, melhor, pois vai garantir que o imóvel seja mantido e seja valorizado e que a vida do cliente seja mais fácil. A gente acha que essa relação sendo muito forte, o cliente vai continuar monetizando na nossa base. A gente quer transformar nossa plataforma em um ecossistema de moradia.

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