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Na engenharia, contra a crise da Covid-19, a gestão compartilhada

Contra a crise gerada pela Covid-19, o empresário Ilso José de Oliveira tem uma receita que pode gerar frutos até depois que a pandemia passar: é a gestão compartilhada de projetos. Esse compartilhamento está, segundo ele, evitando que muitas obras venham a ser paralisadas. Na gestão compartilhada, é feita uma análise minuciosa do projeto, postergando-se prazos e, até mesmo, mudando-se a forma de execução dos trabalhos.

“A cada di, é uma situação nova, uma negociação nova, um requisito novo, uma informação nova, um aprendizado novo”, afirma Ilso José de Oliveira, que é o presidente da Reta Engenharia, uma empresa com 25 anos de atividades em uma área específica da engenharia: a das obras industriais. Na Federação das Indústrias do Estado  Minas Gerais (Fiemg), ele coordena a Câmara de Obras Industriais. Ilso é também vice-presidente de Obras Industriais do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) e vice-presidente de Obras Industriais e Corporativas da Câmara Brasileira da Indústria de Construção (Cbic).

Como profundo conhecedor do setor no qual atua, ele afirma que chegou a hora de as empresas de construção abandonarem o slogan que norteou seus trabalhos ao longo dos últimos tempos e que preconiza que “o cliente é o rei”. Para ele, o momento atual exige outro posicionamento do setor e, consequentemente, uma adaptação da frase. Em lugar de dizer que “o cliente é o rei”, o correto, a seu ver, é passar a dizer que “o projeto é o rei”. Isso significa, de acordo com Ilso José de Oliveira, uma mudança de postura das empresas, que deveriam investir pesado na gestão compartilhada de projetos.

Obras industriais não sofreram paralisação, mas ocorreu renegociação generalizada de prazos Foto: Cbic/Divulgação

Como pontos principais desse novo modelo, ele cita o compartilhamento de ações, informações e responsabilidades em ambiente de confiança; a integração de equipes e a reafirmação do compromisso com o sucesso do projeto, desde a concepção à entrega, com cumprimento dos prazos e também dos mais elevados critérios de qualidade; tudo isso, ressalta Ilso José de Oliveira, em um ambiente de extrema confiança mútua.

De acordo com o vice-presidente de Obras Industriais e Corporativas da Cbic, a pandemia não gerou a interrupção de obras, mas uma redução generalizada do ritmo de implementação da maioria delas. Em meio à crise, ele ressalta, como aspecto positivo, a compreensão que vários contratantes tiveram, de que em vez de simplesmente interromper a execução das obras, o mais adequado seria renegociar os contratos. “Esse é um ponto positivo a ser ressaltado”, afirma Ilso José de Oliveira.

Oportunidade – Ele encara o momento como uma oportunidade que se abre para que os empresários do setor repensem seus próprios negócios. Ele, por exemplo, defende uma mudança nas regras de contratação, com a substituição do critério do menor preço, pelo do melhor preço, que seria uma combinação do preço com a capacidade técnica e os recursos propostos pela empresa para a execução daquela obra. No menor preço, o que ocorre, de acordo com Ilso, é que muitos contratos não chegam ao seu final, comprometendo-se a obra e também a reputação do setor de engenharia como um todo.

Para ele, a engenharia não pode ultrapassar o limite do risco. “Muitas vezes, é importante recusar um trabalho se vou colocar em risco a qualidade do trabalho. A integridade das pessoas e a segurança dos projetos é mandatária na decisão. Não vou comprar, de forma nenhuma, um material mais barato para colocar em risco o projeto. Esse é o limite aceitável na busca do resultado. É não colocar em risco a integridade das pessoas e a qualidade técnica dos projetos”, afirma o presidente da Reta Engenharia.

Para ele, é fundamental, no atual momento, que a engenharia passe a refletir mais seriamente sobre o legado que pretende deixar para as gerações futuras. “Quero que a minha empresa perpetue e imagino que todos pensem assim. Esse é o legado que queremos deixar, um legado de uma Ponte Rio-Niterói, de uma usina de Itaipu, diz o vice-presidente da Câmara de Obras Industriais e Corporativas da Cbic.

SME/Assessoria de Comunicação

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