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Na SME, emoção marca despedida a Rodrigo Coutinho

Esta terça-feira não foi um dia de muita alegria na Sociedade Mineira de Engenheiros. Nesta data, pela manhã e até o início da tarde, o saguão do edifício sede da instituição recebeu o velório do engenheiro Rodrigo Otávio Coutinho Filho, ex-presidente da SME e presidente do Conselho Deliberativo, que havia falecido na noite do dia anterior. Durante seis horas, centenas de amigos por ali passaram. “Aqui era a casa dele”, afirmou o presidente da SME, Ronaldo Gusmão, ao prestar a homenagem oficial da entidade ao seu ex-presidente.

As pessoas que conheceram Rodrigo Coutinho ressaltam algumas de suas qualidades: era uma pessoa elegante no trato, um ótimo gestor e alguém sempre preocupado com o contínuo desenvolvimento dos projetos ligados à SME e à engenharia em seu sentido mais amplo. “Era uma pessoa extremamente alegre, irônica, positiva, crítica e, principalmente, um líder  associativista”, definiu Teodomiro Diniz Camargos, vice-presidente da Federação das Indústrias no Estado de Minas Gerais (Fiemg) e integrante do Conselho Fiscal da SME.

Segundo Teodomiro, em todo ambiente em que Rodrigo Coutinho chegava, ele primeiro se inteirava das questões coletivas e, em seguida, se disponibilizava para ajudar a implementá-las. Como exemplo, aponta a interferência direta dele para que a área de habitação popular fosse incluída no documento encaminhado pela Fiemg ao governo federal contendo prioridades do setor para o governo federal colocar em prática assim que fosse empossado.

De acordo com Teodomiro, assim que soube que havia esse programa em curso e que nele não havia nada previsto para a área de habitação, Rodrigo Coutinho fez contato com o Sindicato da Indústria de Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon) e depois à Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab), onde levantou as informações necessárias e compôs a proposta que incluiu o setor de habitação no plano entregue ao governo.

“Ele era uma pessoa que não deixava uma causa em descoberto”, afirmou Teodomiro, que há uma semana visitou Rodrigo Coutinho no hospital. Lá, segundo o vice-presidente da Fiemg, ouviu dele a reafirmação do compromisso de que assim que saísse do hospital iria levar adiante um projeto sobre o qual haviam começado a discutir. “Ele estava, até a última hora, querendo levar adiante os projetos”.

Reforma da sede

Rodrigo Coutinho Filho foi presidente da SME entre 1994 e 1996. Foi em sua gestão que foi feita a reforma do saguão da sede da entidade, com a retirada da escada que havia no meio do espaço e sua transferência para a entrada lateral. Também em sua gestão ocorreu uma das solenidades mais concorridas da história da instituição – a entrega do prêmio “Engenheiro do Ano” a Itamar Franco, que havia deixado a presidência da República em 31 de dezembro de 1994. Naquele ano, como o número de pessoas que haviam confirmado presença na solenidade superava em  muito a capacidade da sede da SME, a solenidade acabou sendo transferida para o Palácio das Artes, que ficou lotado.

Nos anos de 1990, a SME vivia um período de grande efervescência. Nos anos seguintes, perdeu um pouco do protagonismo que tinha, até deixar sua sede, para a qual retornou em fevereiro de 2017.  Segundo Marita Arêas de Souza Tavares, uma das grandes preocupações de Rodrigo Coutinho era no sentido de fazer com que a SME retomasse o protagonismo de antes. Ele, porém, recusou o convite para que disputasse a presidência da entidade, aceitando apenas ser o presidente do Conselho Deliberativo. Isso, entretanto, não foi, segundo ela, um empecilho para que ele sempre trabalhasse em prol da entidade. “Era uma pessoa que tinha um entusiasmo permanente”, afirmou Marita.

Para Francisco Maia Neto, ex-diretor da SME, Rodrigo Coutinho deixa, para a entidade um duplo legado. O legado material foi o de reforma da sede; o imaterial foi o de, mesmo após deixar a presidência da entidade, ter continuado a dela fazer participar no seu dia a dia . “Do que mais me lembrarei dele é a paixão que teve pela SME”, afirmou Francisco Maia.

“Rodrigo era uma pessoa que aglutinava pessoas”, definiu Maeli Estrela Borges. Integrante da diretoria da SME, Maeli aponta entre as qualidades de Rodrigo, sua alegria constante ea  suavidade no trato com as pessoas. Como exemplo disso, ela cita episódio recente ocorrido no grupo de WhatsApp da SME. Maeli conta que havia postado uma carteira da SME do tempo em que ainda era aspirante a associada. Na sequência, Rodrigo Otávio comentou no grupo: “O engenheiro Aarão Reis tinha uma igual”. Segundo Maeli, vindo de outra pessoa, a frase seria tomada como ofensiva. Porém, vinda dele, segundo Maeli, era apenas mais uma das rotineiras brincadeiras com as quais procurava alegrar o ambiente, ainda que virtual.

Uma pessoa gentil e elegante

A dimensão do seu caráter agregador pode ser medida pelo número de coras de flores enviadas ao salão da SME: foram 25, vindas de familiares, amigos e colegas de locais de trabalho por onde passou durante sua vida. “Era uma pessoa gentil e elegante”, definiu Emir Caddar, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot) e também associado da SME. Rodrigo Coutinho era empresário da área de construção e também associado do Sicepot. “Fizemos muitos eventos juntos”, afirmou Emir Caddar.

A saudação final a Rodrigo Coutinho foi feita por Eloy Lacerda de Oliveira Neto, um amigo da família, que destacou, em sua fala, o lado religioso de Coutinho. Ronaldo Gusmão, em nome da SME, ressaltou o lado profissional, do engenheiro e de sua dedicação à SME. Ao deixar a instituição, o corpo de Rodrigo Coutinho foi saudado com uma salva de palmas. O livro de presenças colocado no local do velório tinha a assinatura de 112 amigos e colegas de profissão. Da SME, o corpo foi levado para o Cemitério do Bonfim, onde, às 15h30, Rodrigo Coutinho foi sepultado.

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