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O Potencial de desenvolvimento de Minas Gerais

Os líderes das entidades públicas e privadas de Minas Gerais jamais enfrentaram uma situação que exigisse tanto da sua participação e da integração dos seus esforços coletivos.

 

 

Por Edgardo Cáceres*

Num evento recente o presidente de uma das entidades líderes do Estado manifestou: “Minas precisa sair do sofá e liderar pelo exemplo”. Nada mais oportuno e necessário.

É incontestável que junto com a corrupção generalizada, a falta de gestão é a causa recorrente dos desperdícios de recursos públicos e da falta de eficácia das políticas públicas em geral. Os partidos políticos estão falidos e as grandes empresas ainda não foram convidadas a cooperar. Ao mesmo tempo, em Minas Gerais temos abundância de exemplos de excelência, que precisam ser replicados.

Os engenheiros são educados para conciliar em qualquer área de atuação as necessidades e propósitos existentes com os recursos disponíveis, portanto é a classe profissional que mais precisa ser convocada a aplicar os seus conhecimentos, em particular quando se trata de falta de gestão.

Para racionalizar a análise podemos tomar premissas dos novos governos estadual e nacional. Entre elas, Reduzir Desperdícios, Criar Empregos e Atender a Quem Mais Precisa.

Reciclado Veicular: a JICA – Agência de Cooperação Internacional do Japão depositou a sua confiança em Minas Gerais. Está investindo na primeira Planta de Desmontagem Veicular, em parceria com o CEFET-MG. Em dezembro estará operando e já há manifestações de interesse da Prefeitura de Rafaela, cidade argentina de 100 mil habitantes, localizada a 500 km ao norte de Buenos Aires.

Nos Estados Unidos, é reaproveitado menos de 10% do peso de automóvel. No Japão superam o 90%. Isso agrega valor, serviços, reduz custos, libera as vias públicas para mais carros novos e o mais importante, gera milhares de empregos. Ou seja, é de interesse das montadoras.

A Prefeitura de Belo Horizonte já estuda a aplicação desta tecnologia japonesa, e o CEFET-MG se propõe a cooperar com entidades argentinas para replicar em outro país da América Latina. É Minas começando a liderar pelo exemplo. O governo estadual precisa propiciar a primeira rede estadual.

Para viabilizar a cooperação tecnológica, a Fundação Cefet Minas e a Fundação Saber Como, da Argentina, utilizaram plataformas digitais específicas visando a replicabilidade em larga escala para atender o maior número de regiões, em sintonia com a indústria automobilística de cada país e as legislações específicas.

Reaproveitamento de Alimentos: em Contagem, desde 2003, são distribuídos de forma gratuita Complementos Alimentares Desidratados produzidos com excedentes de legumes, cereais e frutas doados por produtores agrícolas e comerciantes. Assim são beneficiadas numerosas entidades sociais como asilos de idosos e outros. A tecnologia permite ampliar a produção e distribuição. São também produzidas batata, cenoura, mandioca e banana-passa desidratadas.

Também há demandas por esta tecnologia em Punta Indio, na província de Buenos Aires – Argentina, onde os índices de nutrição e alimentação estão muito afetados. O exemplo implica empreendimentos humanitários como eventualmente comerciais dependendo dos propósitos e necessidades.

Os anteriores são dois exemplos de Redução de Desperdícios e Geração de Empregos de interesse internacional e cujo desenvolvimento e replicabilidade pode ser liderado por Minas Gerais.

Inovação e Gestão: em Betim, a partir da grave crise de 1990, a Fiat Automóveis melhorou a qualidade, reduziu desperdícios e colaborou com a SME, a FIEMG e a CEMIG e liderou o Programa Mineiro de Qualidade e Produtividade. Reconhecida como a Melhor Empresa do País em 1994, passou de 11 mil colaboradores em 1990, para 23 mil em 1995. O Sistema de Gestão e Inovação, as Equipes de Melhoria (4 mil voluntários) e o Uso do Poder de Compra foram alguns dos instrumentos aplicados e posteriormente transferidos a instituições de ensino como o CEFET-MG e outras.

O mais importante: A Fiat Automóveis se transformou na empresa brasileira onde as pessoas têm mais satisfação de trabalhar, conforme avaliações independentes. Junto com a CEMIG, ArcelorMittal e outras de características semelhantes lideraram a transformação da indústria nacional.

Gestão do Poder de Compra: em 1992, a Fiat lançou o Programa de Mineirização dos seus suprimentos, o qual provocou investimentos em Minas Gerais de cerca de uma centena de fornecedores, a instalação de fábricas e a integração da cadeia de valor na região. A Fiat ajudou as empresas capacitando seus colaboradores na aplicação de metodologias de gestão da qualidade.

Esta estratégia pode e precisa ser aplicada em cada região do Estado, aumentando a produção local, com reduções de custos superiores a 30% e acompanhado de geração de investimentos e empregos. Isto requer que cada prefeitura e órgão público atue em cada região, junto com as Associações Comerciais e Industrias, a FIEMG e as instituições de fomento do Governo do Estado.

Programas de Voluntariado: na Cemig, Fiat, ArcelorMittal, Copasa e outras inúmeras empresas cidadãs de Minas Gerais, todo ano há centenas de profissionais experientes se aposentando e desejando tentar outras atividades na nova etapa da sua vida. Entre eles há profissionais que tanto podem colaborar na gestão de políticas públicas como na capacitação de estudantes de instituições de ensino superior com atividades de extensão focadas em cooperar na melhoria e eficácia das políticas públicas da região.

Existe legislação específica para os setores públicos e privados. Os governos têm o dever de implantá-la, mas isso somente acontecerá e terá continuidade com a ajuda de empresas como a CEMIG e de entidades especializadas em gestão e desenvolvimento humano. É só convidar a participar e liderar.

O Brasil é o segundo país em número de especialistas em coaching e as entidades que os representam podem contribuir significativamente nestes programas cidadãos. Nas Equipes de Inovação e Melhoria, seus membros alcançam desenvolvimento pessoal em curto espaço de tempo, o que é mais relevante ainda no caso de estudantes já na fase final dos seus estudos técnicos e/ou de nível superior.

Contratação Imediata: Com o Programa de Mineirização da Fiat Automóveis, nos sete fornecedores que participaram do projeto piloto a montadora constatou uma redução dos defeitos nos produtos de 82% em apenas oito meses, acompanhada de uma melhora de 27% do absenteísmo e de 24% no número de acidentes de trabalho.

Os resultados foram alcançados com participação de catorze estagiários capacitados previamente na Fiat. Os benefícios alcançados pelos fornecedores motivam a rápida contratação dos mesmos. Hoje, numa importante fábrica que participou do projeto, um destes estagiários desempenha uma função de alta responsabilidade.

Da mesma forma, centenas de estudantes universitários foram contratados pela Fiat depois de terem demonstrado seu alto potencial de desenvolvimento profissional através dos relevantes resultados alcançados. Hoje, para preparar os estudantes as faculdades contam com professores especializados em metodologias de gestão. Nessa época, a única opção era a capacitação dada por metodologistas da Fiat Automóveis. Hoje as faculdades precisam com urgência de implementar esta estratégia.

Milhões Desperdiçados: para concluir, um desafio realmente provocativo. Somente Belo Horizonte está deixando de destinar cerca de 98 milhões de reais, correspondente a 6% do Imposto de Renda da pessoa física, a projetos destinados ao Fundo da Infância e Adolescência pela falta de um movimento intersetorial que supere os poucos gargalos existentes.

Quantos centos de milhões de reais deixam de ser aplicados nos 853 municípios mineiros?

Será que esta crise é grave o suficiente como para unir aos agentes do serviço público, engenheiros, contadores, jornalistas, professores, empresários e população em geral num movimento transformador onde consigamos liderar pelo exemplo? Por que deixar de cooperar com o setor público?

Com certeza o potencial de desenvolvimento de Minas Gerais é mais do que capaz de superar esse desafio, num momento em que o Brasil precisa de exemplos e liderança.

O Próximo Passo: dialogar com empresas e entidades mineiras para deixar de desperdiçar tanta experiência disponível e responder à provocação do líder empresário que diz “Minas Gerais precisa sair do sofá e liderar pelo exemplo”. A hora é agora. Esta crise é uma oportunidade única!

* Edgardo Cáceres é especialista em desenvolvimento regional e conselheiro de entidades de Minas Gerais e da Argentina.

 

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