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Opinião: Energias renováveis – Caminho do futuro

Por Roberto Messias Franco

 

O Brasil acordou perplexo. Parou com um movimento que desarrumou a vida de quase todo mundo, com reflexos sobretudo “na ponta”. As pessoas viam desmoronar dois pilares de suas vidas: alimentar-se e movimentar-se, talvez na ordem inversa porque de fato eram os alimentos que não conseguiam chegar a quem deles precisava.

E na base de tudo, um erro conceitual que se desdobrou em consequências gravíssimas. Todo o desenvolvimento concentrado no uso de uma energia não renovável, sendo queimada para impulsionar o movimento das cargas e pessoas, sem nenhum sinal organizado e robusto de mudança. Ao contrário, se ela existiu, foi no sentido contrário ao que ocorre em todo o mundo.

Estamos aumentando nossa dependência em relação aos combustíveis não renováveis, em especial o petróleo, e nos tornando cada vez mais desperdiçadores de um bem que deveríamos usar com toda cautela: mal comparando, seria como usarmos jacarandá para fazer carvão de churrasco.

Os próprios pontos positivos que tínhamos tratamos de destruir. Os mais velhos lembram que era possível e confortável ir ao Rio de Janeiro de trem (o “Vera Cruz”) e que tínhamos uma malha viária bastante razoável em grande parte do País, que seria extraordinária se tivesse sido devidamente cuidada e modernizada. Nossa história registra ainda que a madeira para a construção da estrutura para a Mina de Morro Velho, por exemplo, fora trazida para Nova Lima por hidrovia, pelo rio das Velhas, em projeto elaborado e construído pelo engenheiro mineiro Henrique Dumont.

Salvou-nos do susto, em boa medida, a energia elétrica. Esta sim gerada por uma matriz múltipla e com uma dominante sustentável, a hidroeletricidade – desde que produzida com os cuidados ambientais e de proteção às populações vizinhas.

E não é por falta de aviso ou de conhecimento: há 40 anos, aqui em Belo Horizonte, a então Secretaria de Ciência e Tecnologia, comandada pelos cientistas José Israel Vargas e Octávio Elísio Alves de Brito, já realizava o encontro SINTA 78 – Simpósio Internacional para Tecnologias Alternativas, onde Ignacy Sachs exortava os brasileiros a desenvolverem suas potencialidades com o slogan “ o sol é nosso” e especialistas de todo o mundo já se extasiavam com o que tínhamos de potencial em energias renováveis.

Ainda temos. Mas parece que, decididamente, engatamos marcha a ré.

Falta ver como reverter. E seguir os exemplos de outros países que estimulam o uso de energias renováveis em vez de subsidiar óleo diesel, que transformam seus parques automotivos para dar lugar a carros elétricos, que dão ao transporte público a atenção que este merece.

Sabemos que não se dá cavalo de pau em transatlântico, mas as próximas eleições podem ser um marco nesta reversão e apontar novos caminhos para o futuro.

Roberto Messias Franco – Ex-presidente do Ibama e ex Diretor Adjunto do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) para América Latina e Caribe

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