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Opinião: O futuro das energias renováveis chegou

Por José Carlos Carvalho

 

A realidade das mudanças climáticas determinada pelo aquecimento global decorrente das atividades antrópicas, segundo dados do IPCC, colocou o tema no topo da agenda mundial, em razão dos impactos e das profundas consequências que já ocorrem na vida das pessoas e dos demais seres vivos, além de profundas transformações que estão ocorrendo e que ocorrerão em escala crescente na economia, desde o nível local ao global.

Como relata o IPCC, entre as atividades antrópicas que provocam o aumento médio da temperatura e o aquecimento global está a matriz energética mundial, fortemente baseada nas energias fósseis, principalmente petróleo e derivados, grandes emissores dos GEF – Gases de Efeito Estufa, responsáveis pela elevação das temperaturas.

Embora o Acordo de Paris tenha fixado uma meta de aumento para esse século abaixo de 2°C, mas com esforço adicional dos países emissores para reduzir esse quantitativo para 1,5° C, os dados atuais indicam que essa meta mais promissora não será alcançada, alimentando justificadas preocupações com as consequências ambientais e socioeconômicas dessa dura realidade.

O cumprimento das metas assumidas em Paris estão, ainda que sem a ousadia esperada, promovendo um novo arranjo no modus de produção de vários setores da economia, com destacada evidência na área energética, em face do peso que as energias fósseis têm no computo das emissões dos GEF, principalmente nos países mais desenvolvidos e nos denominados países emergentes.

Nesse contexto, deve ser registrado o esforço mundial e as novas estratégias de produção de energia e a diversificação das fontes de geração, mesmo em países tradicionalmente produtores de petróleo e carvão mineral, como a Arábia Saudita e a China, que vêm realizando grandes investimentos em energias renováveis.

Quando países, como a Arábia Saudita, o maior produtor de petróleo do mundo, prioriza investimentos em grande escala em fontes renováveis de energia, pode-se inferir que uma nova matriz energética está em fase de gestação, apontando para uma era energética pós-petróleo, que permanecerá por mais longo tempo como matéria prima para a petroquímica.

Para os que insistem em que o petróleo continuará insubstituível por tempo indeterminado, é bom lembrar que a idade da pedra terminou não porque tenham acabado as pedras, elas estão aí por toda a parte, mas pelo avanço tecnológico e o advento de novos materiais. O mesmo está por acontecer na área energética em relação aos combustíveis fósseis.

No caso do Brasil, reconhecido internacionalmente por ostentar uma matriz energética mais limpa, em função da geração hidráulica, com o protagonismo do etanol e do carro flex, a descoberta do pré sal, embora importante no curto prazo, anestesiou os esforços por uma matriz energética mais diversificada com a geração eólica e fotovoltaica. Além disso, negligenciou o uso da biomassa, principalmente no setor bioenergético, tornando-se importador de álcool e do uso potencial da madeira como fonte de energia, principalmente na área siderúrgica, na qual o uso sustentável do carvão vegetal, em substituição ao carvão mineral, permitiu uma siderurgia com emissões negativas.

Mesmo assim, o Brasil tem evoluído na geração eólica e registrado alguns avanços em energia solar, mas sem uma política governamental que incentive a ampliação das energias limpas na matriz energética brasileira em sintonia com o nosso potencial e as vantagens comparativas que o país detém nesse campo.

A política energética brasileira tornou-se refém do pré sal, uma janela de oportunidade que dificilmente durará mais de três décadas, deixando em plano secundário a concepção e implementação de uma estratégia de produção de energias limpas alinhada à tendência mundial. Justo num país que reúne todas as condições para se tornar o Oriente Médio das energias renováveis.

Num momento em que a Petrobrás está no foco de uma grande crise nacional, deve-se cogitar, como estratégia de longo prazo para o Brasil, comiserando o potencial energético do país em fontes renováveis, transformá-la numa empresa de energia e não apenas de petróleo e derivados.

Essa é uma bandeira que poderia ser abraçada pela SME – Sociedade Mineira de Engenheiros, em aliança com outras entidades que tratam do tema.

Está lançado o desafio.

José Carlos Carvalho – Engenheiro Florestal, ex-secretário de meio ambiente de Minas Gerais e ex-ministro do meio ambiente

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