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Pandemia pode ser uma janela de oportunidades, afirma consultor

Muitos viram o cenário criado pela Covid-19 como apocalíptico. Outros não. No segundo grupo, está o empresário Vinícius Bortolussi Roman, diretor-técnico da aceleradora de startups Neo Ventures. Para ele, a pandemia pode ser uma janela de oportunidades, como tem sido para empresas de muitos setores, como as de tecnologia que dão suporte a operações de home office, ensino à distância e logística. A Neo Ventures é uma aceleradora com 12 anos de mercado. Nesse tempo, já acelerou cerca de 500 startups com recursos da ordem de R$ 200 milhões. A despeito da crise e de todos os problemas por ela gerados, ele se considera otimista em relação ao futuro, já que muitos setores acabaram por “virar a chavinha” e se adequar aos novos tempos, inovando em suas atividades.

Qual foi o impacto da Covid-19 sobre os projetos de inovação que estavam em andamento?

O primeiro ponto é que a pandemia gerou um impacto significativo sobre o mercado, causando sua redução, independentemente de a empresa ser grande, média, pequena ou ser uma startup. Todo mundo foi afetado. Ninguém ficou de fora. O aspecto relevante nisso tudo é que hoje há várias soluções disponíveis que, em um momento de crise, como o atual, podem ser nossas aliadas. Há alguns anos, não teríamos ferramentas interativas de comunicação como temos hoje, não teríamos o e-commerce. Por isso, hoje, mais do que nunca, a tecnologia tem que ser uma aliada a nos ajudar a vencer desafios e obstáculos naturais que aparecem no caminho, como a Covid-19. As empresas de inovação são iniciativas que já possuem no seu interior o DNA de trabalhar de uma forma mais dinâmica e utilizando a tecnologia como o motor do crescimento de seus negócios. São organizações que estão mais otimistas que as outras, no sentido da confiança de que irão sobreviver à pandemia.

Que exemplo você citaria de uma startup que conseguiu aproveitar a crise e desenvolver um produto novo?

Eu citaria uma startup que trabalha com logística de pátio de estacionamento de caminhões. Ela faz o controle dos veículos que estão entrando. Com a pandemia, eles criaram um dispositivo por meio do qual se pode fazer o distanciamento entre os caminhões e, consequentemente, entre os motoristas, utilizando um equipamento instalado nos seus capacetes. É um exemplo de empresa que conseguiu, muito rapidamente, adaptar sua atividade para um cenário de pandemia. Há setores que entraram em alta muito rapidamente, como a área de saúde e o e-commerce com sistemas de pagamento inovadores, sem aproximação, sem contato físico. Também estão em alta as startups da área de educação, cujo grande desafio é manter professores, alunos e pais alinhados em torno de objetivos comuns.

Vinícius Bortolussi Roman, diretor-técnico da Neo Ventures, diz estar otimista em relação aos investimentos em inovação Foto: SME/Divulgação

Do que foi implementado, nesse momento de urgência, que alterações você considera que serão definitivas?

Algumas coisas já estão consolidadas. A mais clara delas é a do home office, uma tendência que acreditava-se que seria implementada em larga escala somente por volta do ano de 2030, segundo várias projeções feitas nesse sentido. Porém, hoje, várias empresas estão se mobilizando para continuar com parte de sua equipe trabalhando em home office. Também irá ganhar uma força ainda maior a educação à distância, que já vinha experimentando crescimento. Vejo também em alta a digitalização dos pequenos e médios empreendimentos, que vinham segurando os investimentos nessa área. Com a pandemia, acho que isso não vai existir mais.

E especificamente na engenharia, o que irá mudar?

Algumas coisas que já vinham acontecendo possivelmente vão ser aceleradas de agora em diante. Eu citaria o uso da inteligência artificial, o big data, o Bim e a busca de uma menor exposição dos trabalhadores a eventuais áreas de risco, por meio de trabalho remoto, uso de drones, realidade aumentada e realidade virtual. São aplicações que já fazem, e vão fazer cada vez mais, parte da rotina da engenharia.

Pessoalmente, você se também se considera otimista em relação ao futuro?

Confesso que no início da pandemia, minha preocupação foi muito grande principalmente no primeiro mês, quando paramos para refletir sobre o impacto potencial da pandemia no setor de inovação e sobre como poderíamos reagir. Foi um momento em que tivemos que respirar fundo. Porém, com o correr do tempo, a gente sentiu um comportamento bem receptivo do mercado, no sentido de as atividades serem aprimoradas durante a pandemia. Isso não deixou de ser um alívio. Enxergamos na crise uma janela de oportunidades para quem não estava investindo em inovação e acabou sendo obrigado a virar a chavinha. Apesar das dificuldades naturais que estamos enfrentando, sou otimista.

SME/Assessoria de Comunicação

 

 

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