Home / Destaque / Pesquisador da FDC defende prioridade para investimentos na infraestrutura de transportes

Pesquisador da FDC defende prioridade para investimentos na infraestrutura de transportes

Na pós-pandemia, o investimento na melhoria da infraestrutura de transportes é a melhor solução para o país retomar o desenvolvimento e se modernizar. De acordo com o engenheiro Paulo Resende, professor da Fundação Dom Cabral (FDC), de Belo Horizonte, a infraestrutura de transportes tem uma capacidade muito grande de formar o que ele define como “efeito de arrastro”.

É que, segundo Resende, a cada dólar de aplicado nessa área cria um dólar e meio em novos investimentos. “É uma cadeia que se forma. Atrás de cada obra de engenharia, de implementação de ferrovia, de ampliação de aeroporto, tem uma cadeia imensa que vai desde os fornecedores de produtos e serviços de engenharia, até aquele cara que vem vender marmita para os trabalhadores”, afirmou o pesquisador do FDC, que fez tais ponderações em live sobre o transporte na pós-pandemia promovida pelo movimento “Engenharia Já”.

Paulo Resende espera que, após a vacina, 2021 seja o ano dos investimentos em infraestrutrura no país e, especialmente, em Minas. “Não podemos deixar isso para trás”, afirmou Paulo Resende, que considera um erro esperar que os recursos para investimentos nessa área venham dos orçamentos públicos. Como os orçamentos públicos são sempre muito enxutos, o resultado prático, segundo Paulo Resende, é que acaba não sobrando recursos para os investimentos de que o país e Minas necessitam em infraestrutura de transportes.

“Durante séculos, nos foi vendida a ideia de que o investimento em infraestrutura era uma obrigação do orçamento público. Isso foi um erro gravíssimo da história brasileira porque afastamos o potencial de participação de agentes privados. Com isso, ficamos sempre reféns da volatilidade do orçamento público que, no mundo inteiro, vive em crise e dificilmente se ganha uma estabilidade de longo prazo”, afirmou Paulo Resende.

O resultado prático dessa visão foi que, nos últimos anos, o Brasil investiu apenas 0,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB) na melhoria de sua infraestrutura de transportes, um percentual, de acordo com Paulo Resende, três vezes menor que o dos países desenvolvidos (2,5%) e dez vezes menor que o da China, que investiu, nessa área, cerca de 7% de seu PIB.

Na China, investimentos em infraestrutura correspondem a dez vezes mais o que se investe no Brasil Foto: Chinadayli

Paulo Resende defendeu, também, que se tenha um planejamento de longo prazo para os investimentos na infraestrutura de transportes, de tal forma que a implementação dos projetos passe de um governo para outro, pondo-se fim à descontinuidade que costuma ocorrer na transição de uma gestão para outra. Ele propõe que o país passe a adotar o modelo anglo-saxão de planejamento, no qual o gestor que entra faz uma análise do que foi construído pelo que o antecedeu e constrói em cima do que já está construído, apenas incrementando os pontos fortes e corrigindo os pontos fracos.

Como exemplo de planejamento, a seu ver ideal, ele cita o modelo inglês. Lá, de acordo com Paulo Resende, quando se decide que determinada obra é de interesse público, o arcabouço jurídico do país trava a obra até o seu término, dando-lhe o status de uma obra de Estado, evitando-se, assim, que o projeto seja abandonado no meio do caminho.

Mobilidade – A pós-pandemia irá mudar, também, o sentido da mobilidade. Nesse novo cenário, a descarbonização irá ganhar, segundo o engenheiro e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Adalberto Carvalho de Rezende uma prioridade maior do que a que tem hoje. No cenário futuro, ocorrerá, segundo ele, um aumento do contingente de pessoas que andam a pé, já que sua vizinhança terá um peso maior nos deslocamentos.

Porém, segundo Adalberto Rezende, será preciso investir no desenvolvimento tecnológico, de forma a se aproveitar a grande disponibilidade que o Brasil tem de energia renovável, na forma do sol, do etanol e da energia hidrelétrica. Para isso, ele defende o aproveitamento de todas as alternativas existentes, com investimentos na ampliação dos veículos híbridos ou elétricos, ou mesmo da adoção de novas tecnologias, como a das engrenagens lineares, que permitem a movimentação de uma bicicleta com o uso do peso do corpo do próprio ciclista, e dos veículos hídricos que captam energia solar no teto, entre outras possibilidades. “Falar em descarbonização é pensar de maneira transversal”, afirmou Adalberto Rezenade.

Eugênio Mattar, CEO e presidente do Conselho de Administração da locadora de carros Localiza, considera que em um cenário de pós-pandemia, o veículo particular pode ter seu uso otimizado. O carro, como ele faz questão de ressaltar, é, entre os vários modais de transporte disponíveis nos centros urbanos, o único que consegue chegar a destinos onde o ônibus ou metrô não chegam.

Para ele, o veículo alugado pode contribuir positivamente para esse novo cenário ao permitir que ocorra uma redução do número carros em cada residência, já que as pessoas deixariam de trocar de carro a cada quatro ou cinco anos. Além disso, como os carros da Localiza têm manutenção constante, ocorre também uma redução do volume de poluentes lançados na atmosfera.

De acordo com Mattar, o objetivo da Localiza é ter 100% de seus veículos equipados com telemetria. Com isso, será possível saber quem está dirigindo de forma pouco econômica ou também perigosa e alertar esse motorista. Com esses indicadores, será possível, segundo o CEO da Localiza, enviar uma mensagem no celular da pessoa solicitando que ela se adeque às normas de dirigibilidade. “Estou impactando a mobilidade de forma diferente e virando uma solução positiva para a questão”, ressaltou Eugênio Mattar.

SME/Assessoria de Comunicação

Sobre CPD

Veja Também

Artigo: As perguntas ainda sem resposta no apagão do Amapá

José da Costa A interrupção de três semanas no fornecimento de energia elétrica ao Amapá …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.