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Na SME, Sudecap faz balanço de atividades e anuncia duas grandes obras

Belo Horizonte é um emaranhado de ruas, praças e avenidas que, se colocadas, em linha reta, equivaleriam à distância de uma viagem de ida e volta a Belém, no Pará. Da mesma forma que uma rodovia precisa de manutenção, ruas praças e avenidas também. É preciso que essas vias sejam recapeadas rotineiramente. Uma cidade tem ruas, praças e avenidas. Não é uma floresta, mas também tem árvores, que convivem, bem ou mal, com a vida urbana. Essa convivência exige que o espaço das árvores seja definido e harmonizado com o das pessoas. Para isso, as árvores têm que ser podadas regularmente, ou suprimidas quando atingirem o fim de sua vida útil. Uma cidade também demanda grandes obras, como a construção de vias expressas, de trânsito rápido, viadutos e barragens de contenção das águas de chuva, no verão, para evitar enchentes.

Para que a cidade funcione sem sobressaltos, é preciso que exista um órgão dedicado a realizar tudo isso de forma rotineira. Em Belo Horizonte, o responsável pelo “funcionamento” da infraestrutura física da cidade é a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), autarquia fundada há exatos 30 anos, em abril de 1969. O início de suas atividades foi marcado por uma obra que, ainda hoje, é de grande importância para a mobilidade dos belo-horizontinos: o túnel da Lagoinha, que liga o centro da cidade à região leste da Capital.

“Sem a Sudecap, a cidade pára”, afirmou o superintendente do órgão, engenheiro Henrique Castilho, em palestra recente na Sociedade Mineira de Engenheiros (SME). Segundo ele, dos órgãos que foram a administração pública municipal, apenas dois não dependem da Sudecap para a execução de suas obras. Um é Companhia de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans); o outro é a Secretaria Municipal de Educação (Smed), que realiza, ela própria, todas as obras de construção e reforma de escolas. Tudo mais, como ele ressaltou, passa pela Sudecap, para que seja planejado e executado.

PBH recapeou 377 quilômetros desde 2016; Cidade tem 5 mil quilômetros de ruas, avenidas e praças/Foto: PBH/divulgação

Na manutenção viária, entre 2016 e 2019, quase um décimo – 377 quilômetros – dos cerca de 5 mil quilômetros de ruas, praças e avenidas que Belo Horizonte possui já terão sido recapeados. O número de buracos na pista que foram tampados pelas famosas operações tapa-buracos também aumentou entre 2017 e 2019. Passou 17 mil 404 em 2017, para 115 mil até 25 de julho último. O aumento se deveu, segundo Henrique Castilho, ao melhor acompanhamento das empreiteiras contratadas para esta finalidade e também ao início do funcionamento do aplicativo da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) por meio do qual o cidadão solicita este tipo de serviço.

Igualmente aumentou o número de cortes e podas de árvores, serviço que, como ressalta o superintendente da Sudecap, é essencial para evitar que caiam, matando pessoas. Entre 2016 e 2019, o número de árvores cortadas passou de 2,4 mil para 15 mil ao ano. “Ninguém cortava árvores em BH”, afirmou Henrique Castilho ao explicar a razão do aumento ocorrido ano a ano. Segundo ele, a prioridade, nos últimos anos, foi a correção dessa distorção, com a supressão das árvores que poderiam cair sobre carros e pessoas. A partir deste ano, será intensificado o plantio de novas árvores.

Grandes obras – Além dos pequenos serviços, a Sudecap está no planejamento final de duas grandes obras na cidade. Uma delas é o Expresso Amazonas. A outra é a que irá pôr fim às enchentes na avenida Vilarinho, na região Leste da capital. O Expresso Amazonas está com o projeto concluído e, no momento, a Prefeitura trabalha na captação de recursos junto ao Banco Mundial. O objetivo é a implantação de um corredor de transporte coletivo expresso para melhorar a acessibilidade da região oeste de Belo Horizonte, de forma a proporcionar a redução do tempo das viagens e o aumento do conforto e segurança dos usuários.

A obra da Vilarinho deverá custar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão e, segundo o superintendente da Sudecap, não será uma transposição de bacias, como segundo ele, chegou a ser divulgado. De acordo com a Sudecap, no momento, estão sendo feitos os estudos hidrológicos para a obra, assim como definidas as soluções de micro e macrodrenagem dos córregos que compõem a bacia do córrego Isidoro. “São estudos complexos que abrangem todas a bacia, com o objetivo de apontar soluções economicamente viáveis e tecnicamente efetivas”, explicou o superintendente da Sudecap, que, entretanto, evitou dar mais detalhes do projeto, por tratar-se de algo que ainda está em desenvolvimento.

No momento, a Sudecap tem 28 obras em andamento na cidade, ao custo de R$ 401 milhões. Trata-se de um cenário que contrasta com a realidade do Estado e da União, que estão com sérios problemas de caixa. De acordo com Henrique Castilho, tal situação se deve, segundo ele, à própria autarquia, que passou por uma completa reformulação no atual governo e trabalha segundo dois pilares: planejamento e transparência. Tal reestruturação tem, segundo ele, tornado mais ágil a captação de recursos junto ao governo federal e também no exterior.

As perspectivas para os próximos dois anos são de conclusão de mais 90 projetos, sendo 26 de edificações e 64 projetos de infraestrutura com diversos empreendimentos de grande porte. A previsão de desembolso para projetos, de recursos próprios ou financiamentos federais e internacionais, pode chegar a R$ 50 milhões nos próximos dois anos de gestão

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