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Tendências e desafios da Indústria 4.0

 

Por Rita Senise*

Mencione “Indústria 4.0” para a maioria dos executivos da área de produção e verifique que, provavelmente, muitos estão confusos sobre o conceito, outros céticos em relação ao que vêem, considerando apenas como mais uma estratégia de marketing. No entanto, alguns, com um olhar mais atento sobre Indústria 4.0, entendem a mesma com potencial, para radicalmente transformar a fabricação, a logística e administração.  Percebem e entendem as oportunidades da produção interconectada e digitalizada da “smart factory”, ou seja, a “fábrica inteligente”, e sua interface com a produtividade,  otimizando recursos e fazendo emergir novos modelos de negócio.

De acordo com o Boston Consulting Group (BCG), a Indústria 4.0, na próxima década, vai levar ao aumento da eficiência  e produtividade  em todos os níveis de bens e serviços, aproximadamente de € 90 bilhões para € 150 bilhões. Na Alemanha – onde surgiu pela primeira vez o conceito “Industrie 4.0” – e em alguns países escandinavos, a quarta indústria de automação e sistemas de auto-otimização já vem sendo adotada com total agilidade. Multinacionais Alemãs, como Siemens, Bosch e Volkswagen, lideram, de forma pioneira, a aplicação em escala no uso de tecnologias para a produção interconectada e digitalizada. As mesmas, investem em máquinas e  produtos, como componentes inteligentes,  que podem se intercomunicar, transmitindo os dados localmente, globalmente e além dos limites empresariais.

Nos bastidores das principais empresas da Europa continental, uma profunda transformação digital está em andamento. Não é mera coincidência que a Feira de Hannover “Hannover Messe”, a mais importante feira internacional de tecnologia industrial,  aconteceu em 2018 sob o signo da digitalização. Mas a tendência é global, como confirma a recente pesquisa da BCG, ao informar que executivos da área de produção em 26 países, incluindo os três países líderes, Alemanha,  Japão e  EUA, pretendem investir 5% ou mais da sua receita anual na digitização de funções essenciais das cadeias vertical e horizontal de suas empresas, até 2030.

Os governos escandinavos têm investido fortemente na digitalização da indústria, impulsionados pelas oportunidades decorrentes como o surgimento de recursos de análise e inteligência de negócios. Devido a incentivos governamentais, a Suécia, por exemplo, se encontra entre os cinco principais países com iniciativas de sucesso, em fábricas inteligentes, máquinas conectadas, sistemas reconfiguráveis, robótica avançada e fluxos de informação contínuos. Considerando que o setor industrial e de serviços consome 77% do valor total das exportações do país, a estratégia ”Smart Industry” foi lançada pelo Governo Sueco para enfrentar esse desafio. A Indústria 4.0 faz da Suécia um “hotspot” para engenheiros. Ao mesmo tempo, devido ao crescente uso de software, conectividade e análise, de acordo com o “World Wacth”, o país ocupa o 10º lugar na lista de destinos para profissionais com competências em desenvolvimento de software e tecnologias de TI, bem como especialistas em mecatrônica com habilidades de software.

Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, autor do best seller “The Fourth Industrial Revolution”, descreve a quarta revolução industrial diferente das três anteriores, que se caracterizaram, principalmente e apenas, por avanços tecnológicos. Na quarta revolução industrial, passamos de “apenas” à Internet e do modelo cliente-servidor para a mobilidade onipresente, ambientes digitais e físicos, que permitem à indústria convergência de robótica, computação cognitiva e processos de fabricação inteligente, descentralizados, responsivos, flexiveis e conectados. Schwab questiona: Quais desafios existem perante à Indústria 4.0? Além dos desafios tecnológicos, organizatórios e jurídicos, quais outros podem estar em interação? As máquinas devem se tornar mais inteligentes. Mas, até que ponto uma máquina ou um serviço pode decidir autonomamente?  Importante incluirmos  o desafio de conceder à indústria 4.0 uma forma social adequada, que considere a empregabilidade, a segurança e tipologia de impostos. E principalmente, repensarmos seus impactos no meio ambiente e sustentabilidade, pois não há como falar de ambientes inteligentes, se não houver preocupação com os efeitos da atividade industrial, em toda a cadeia produtiva e seu ecossistema.

*Rita Senise é Pesquisadora Brasileira, residente em Estocolmo. Dra. em Tecnologia pelo Royal Institute of Technology (KTH, Suécia), Consultora da WSP Natlikan Sverige em sustentabilidade e Especialista do COST (European Cooperation in Science and Technology) / União Européia

 

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